Sumários

Aula 4

19 Outubro 2026, 20:00 • Antonio Maria Pusceddu


Durante esta aula retomámos a parte final da aula anterior, destacando a antropologia marxista e a antropologia interpretativa como opções teóricas que tiveram significativa influência nos anos Setenta. Este enquadramento foi útil para assinalar contextos e premissas dos debates que começam a aparecer nos anos Oitenta, que assentam na relevância da agência, no tema do poder e na problematização da relação observador/observado. Dentro deste panorâma, foi introduzido o tema central da importância da noção de "prática" para as tendências antropológicas que ganharam destaque nas décadas de 1970 e 1980. A partir de discussões teóricas de autores como Bourdieu, entre outros, enquadrámos a centralidade que a noção de prática adquiriu no vocabulário e na investigação antropológica. Por fim, abordámos a questão da antropologia como prática da teoria e, simultaneamente, como teoria da prática.

Leituras:

(A) Um texto à escolha dos seguintes:

  1. Barnard, A. (2022). Capítulo 10: “Poststructuralists and Feminists”. In History and Theory in Anthropology, Cambridge: Cambridge University Press, pp. 145-157.
  2. Restrepo, E. (2020), Capítulo 5: “Teorías antropológicas contemporáneas” (pp. 121-175). In Teorías y conceptos para el pensamiento antropológico. Mérida: Red de Antropologías del Sur.
  3. Sneath, D. (2018), "From transactionalism to practice theory" (pp. 91-107). In M. Candea (ed) Schools and Styles of Anthropological Theory. London: Routledge;

(B) Um texto à escolha dos seguintes:

  1. Bourdieu, P. (2014). “Structures and habitus” [1972]. In Moore, Henrietta, & Todd Sanders (eds), Anthropology in Theory: Issues in Epistemology. London: Wiley Blackwell, pp. 332-342. (trad. port. Esboço de uma teoria da prática, Celta editora, 2002).
  2. Collier, J. F. & S. J. Yanagisako (1989). Theory In Anthropology Since Feminist Practice. Critique of Anthropology 9(2): 27-37.
  3. Ortner, S. B. (1984). “Theory in Anthropology since the Sixties”, Comparative Studies in Society and History 26(1): 126-166.

Aula 3

12 Outubro 2026, 20:00 • Antonio Maria Pusceddu


Nesta aula retomámos os debates teóricos que marcaram a passagem das décadas de 1960 e 1970, incluindo a crítica do estrutural-funcionalismo, o estruturalismo de Lévi-Strauss, a antropologia simbólica (na sua vertente "interpretativa") e a antropologia marxista. Através da discussão destas orientações teóricas, examinaremos diferentes maneiras de enquadrar os seguintes tópicos:

  • o problema das estruturas e da transformação;
  • as relações entre indivíduo e sociedade/cultura;
  • o problema dos símbolos e dos significados.

Leituras:

(A) Um texto à escolha dos seguintes:

  1. Candea, M. (2018), "Severed roots: Evolutionism, diffusionism and (structural-)functionalism" (pp. 18-59). In M. Candea (ed) Schools and Styles of Anthropological Theory. London: Routledge;
  2. Restrepo, E. (2020), Capítulo 3: “Escuelas francesas de mediados del siglo XX”. In Teorías y conceptos para el pensamiento antropológico. Mérida: Red de Antropologías del Sur.

(B) Um texto à escolha dos seguintes:

  1. Geertz, Clifford (2018) Thick Description: Toward an Interpretative Theory of Culture [1973]. In Moore, Henrietta, & Todd Sanders (eds), Anthropology in Theory: Issues in Epistemology. London: Wiley Blackwell, pp. 166-172.
  2. Humphrey, Caroline (2018). Marxism and neo-Marxism. In Candea, Matei (ed.) (2018), Schools and Styles of Anthropological Theory. London: Routledge, 79-90;
  3. Radcliffe-Brown, A.R. (1940). Social Structure. In Moore & Sanders (eds), Anthropology in Theory, pp. 64-69.
  4. Stasch, R. (2018). Structuralism. In M. Candea (ed) Schools and Styles of Anthropological Theory. London: Routledge, pp. 60-78.
  5. Wolf, Eric R. (1982) Introduction to Europe and the People Without History. In Moore & Sanders (eds), Anthropology in Theory, pp. 293-307.

Aula 2

28 Setembro 2026, 20:00 • Antonio Maria Pusceddu


A aula foi dedicada à apresentação e discussão dos fundamentos da teoria antropológica e dos principais modelos teóricos tal como foram sendo definidos entre o século XIX e a primeira metade do século XX. Não se tratou apenas de uma revisão dos paradigmas e perspetivas centrais da fase de construção e consolidação da disciplina, como o evolucionismo, o difusionismo, o funcionalismo e o estruturalismo, entre outros, mas sim de uma premissa necessária para identificar os alvos decisivos da crítica teórica desenvolvida a partir da segunda metade do século XX, sobretudo nos últimos 50 anos. Neste sentido, analisámos as continuidades e rupturas que marcaram o desenvolvimento da disciplina, enquadrando criticamente a complexa relação entre o passado e o presente da teorização antropológica. Por fim, nesta aula, foram abordadas também as teorias da cultura e a problemática peculiaridade e centralidade do conceito de cultura na linguagem, na teoria e na investigação antropológica. 

Leituras:

(A) Um dos seguintes textos, à escolha:

  1. Candea, M. (2018), "Severed roots: Evolutionism, diffusionism and (structural-)functionalism" (pp. 18-59). In M. Candea (ed) Schools and Styles of Anthropological Theory. London: Routledge;
  2. Restrepo, E. (2020), Capítulo 1: “Escuelas de finales del siglo XIX y primera mitad del siglo XX” (pp. 19-55); Capítulo 3: “Escuelas francesas de mediados del siglo XX” (apenas “Estruturalismo”, pp. 75-89). In Teorías y conceptos para el pensamiento antropológico. Mérida: Red de Antropologías del Sur.

(B) Um dos seguintes (breves) textos, à escolha:

  1. E. Durkheim (1895). Rules for the explanation of social facts (pp. 55-63)
  2. F. Boas (1932). The Aims of Anthropological Research (pp. 22-31)
  3. R. Benedict (1934). The Individual and the Pattern of Culture (pp. 43-52).
  4. A. R. Radcliffe-Brown (1940). On Social Structure (pp. 64-69).
  5. C. Lévi-Strauss (1945). Structural Analysis in Linguistics and in Anthropology (pp. 192-203)
  6. A. L. Kroeber (1952). The Concept of Culture in Science (pp. 32-36).

Todos os textos B.1-6 estão incluídos no livro: H. Moore & T. Sanders (eds), Anthropology in Theory: Issues in Epistemology. London: Wiley Blackwell.

Para além das leituras recomendadas para cada aula, é obrigatória e indispensável a leitura dos seguintes textos da cadeira:

  1. Herzfeld, M. (2001), "Orientations: Anthropology as a Practice of Theory". In Anthropology: Theoretical Practice in Culture and Society. Oxford: Blackwell Publishing, pp. 1-20.
  2. Lins Ribeiro, G. & A. Escobar, "World Anthropologies: Disciplinary transformations within systems of power". In G. Lins Ribeiro & A. Escobar (eds), World Anthropologies: Disciplinary Transformations within Systems of Power. Oxford-New York: Berg, pp. 1-25.
  3. Moore, H & T. Sanders (2014). "Anthropology and Epistemology". In H. Moore & T. Sanders (eds), Anthropology in Theory: Issues in Epistemology. London: Wiley Blackwell, pp. 1-18.

Aula 1

21 Setembro 2026, 20:00 • Antonio Maria Pusceddu


Sumário:

A primeira aula foi dedicada à apresentação dos objetivos, dos conteúdos e da organização da UC. Foram também ilustrados os materiais bibliográficos e o sistema de avaliação.

Nesta primeira aula foram recomendadas algumas leituras obrigatórias e indispensáveis, para além das leituras recomendadas para cada aula:

  1. Herzfeld, M. (2001), "Orientations: Anthropology as a Practice of Theory". In Anthropology: Theoretical Practice in Culture and Society. Oxford: Blackwell Publishing, pp. 1-20.
  2. Lins Ribeiro, G. & A. Escobar, "World Anthropologies: Disciplinary transformations within systems of power". In G. Lins Ribeiro & A. Escobar (eds), World Anthropologies: Disciplinary Transformations within Systems of Power. Oxford-New York: Berg, pp. 1-25.
  3. Moore, H & T. Sanders (2014). "Anthropology and Epistemology". In H. Moore & T. Sanders (eds), Anthropology in Theory: Issues in Epistemology. London: Wiley Blackwell, pp. 1-18.

Para quem não tem formação prévia em antropologia foi também recomendada a leitura de um dos seguintes textos do T. H. Eriksen:

  1. Small Places, Large Issues: An Introduction to Social and Cultural Anthropology. London: Pluto (2010, 3a edição).
  2. What is Anthropology? London: Pluto (2017).
  3. (and Finn Sivert Nielsen) A History of Anthropology. London: Pluto (2013, 2a edição). (Tradução português: História da Antropologia, Editora Vozes)