Ficha Unidade Curricular (FUC)
Informação Geral / General Information
Carga Horária / Course Load
Área científica / Scientific area
Antropologia
Departamento / Department
Departamento de Antropologia
Ano letivo / Execution Year
2026/2027
Pré-requisitos / Pre-Requisites
Não se aplica
Objetivos Gerais / Objectives
A unidade curricular visa: compreender os principais debates da antropologia pública, aplicada, profissional, colaborativa e comprometida; analisar criticamente as relações históricas entre antropologia, colonialismo, Estado, desenvolvimento, políticas públicas e intervenção social; identificar dilemas centrais da ética profissional; compreender a ética como processo situado, relacional e contínuo de deliberação; examinar relações de poder associadas ao consentimento, representação, anonimização, autoria, dados, financiamento e comunicação; avaliar possibilidades e limites do uso do conhecimento antropológico em instituições, organizações e comunidades; desenvolver competências de comunicação pública e de conceção de projetos antropológicos responsáveis, colaborativos e socialmente relevantes.
Objetivos de Aprendizagem e a sua compatibilidade com o método de ensino (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes) / Learning outcomes
No final da UC, os/as estudantes deverão ser capazes de distinguir modalidades de antropologia pública e profissional; contextualizar criticamente os seus usos históricos e institucionais; identificar dilemas éticos e deliberar entre obrigações concorrentes; analisar políticas, indicadores, classificações e procedimentos organizacionais; avaliar a posição do/a antropólogo/a e os efeitos previstos e imprevistos da investigação; conceber formas adequadas de colaboração, autoria, reciprocidade e governação de dados; comunicar argumentos antropológicos a públicos diversos; e planear um projeto de antropologia pública. Estes resultados são desenvolvidos através de exposições breves, seminários de leitura, análise de casos, laboratórios de decisão ética, oficinas de comunicação e elaboração progressiva de um projeto aplicado.
Conteúdos Programáticos / Syllabus
1.Antropologia pública, aplicada, profissional, colaborativa, comprometida e ativista. 2. Histórias coloniais, administrativas, militares e desenvolvimentistas da disciplina. 3. Ética para além dos códigos: dano, consentimento e obrigações concorrentes. 4. Posicionalidade, representação, anonimização e recusa. 5. Colaboração, coprodução, reciprocidade, autoria e propriedade dos dados. 6. Antropologia das políticas públicas: instituições, quantificação, auditoria e evidência. 7. Cuidado, vulnerabilidade, necessidades humanas e responsabilidade profissional. 8. Antropologia comprometida, ativismo, advocacy e testemunho. 9. Comunicação pública, etnografia digital, proteção de dados e inteligência artificial. 10. Prática profissional, trabalho por encomenda, prestação de contas e apresentação de projetos.
Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objetivos de aprendizagem da UC / Evidence that the curricular unit's content dovetails with the specified learning outcomes
Os conteúdos foram organizados de forma progressiva. Os temas iniciais fornecem os fundamentos conceptuais e históricos necessários para distinguir modalidades de antropologia pública e compreender os seus compromissos institucionais. Os blocos seguintes tratam os principais problemas éticos da investigação e intervenção: dano, consentimento, representação, anonimização, recusa, autoria, colaboração e governação de dados. A análise de políticas, quantificação, cuidado e vulnerabilidade desenvolve competências de leitura institucional e avaliação crítica. Os temas sobre ativismo, comunicação pública, ambientes digitais e prática profissional permitem aplicar os conhecimentos adquiridos a situações concretas. O projeto final integra todos os resultados de aprendizagem, exigindo análise ética, reflexividade, comunicação pública e planeamento responsável.
Avaliação / Assessment
A avaliação é contínua e integra três componentes: Análise individual de um dilema ético — 25%. Texto de 1500 a 1800 palavras no qual o/a estudante identifica intervenientes, relações de poder, obrigações concorrentes, potenciais danos, alternativas e decisão fundamentada. Projeto coletivo de antropologia pública — 35%. Desenvolvido em grupos de dois ou três estudantes para um público ou organização concreta. Inclui definição do problema, públicos, parceiros, contributo antropológico, produto público, estratégia de comunicação, consentimento, gestão de dados, riscos, devolução, critérios de avaliação e apresentação oral. Portefólio crítico individual — 40%. Inclui comentário analítico de 2000 a 2500 palavras, declaração de posicionalidade, mapa de partes interessadas, avaliação de riscos e reflexão sobre as decisões tomadas no projeto coletivo. A avaliação formativa inclui uma nota conceptual, um mapa preliminar de partes interessadas, uma matriz de riscos éticos e um protótipo do produto público. Estes elementos recebem feedback, mas não têm classificação autónoma. Os critérios de avaliação incluem domínio conceptual, qualidade do raciocínio ético, análise das relações de poder, uso adequado de evidência etnográfica, reflexividade, qualidade da colaboração, adequação ao público, clareza da comunicação, viabilidade, consideração de efeitos não intencionais e rigor formal. A alternativa à avaliação contínua consiste num exame final (100%).
Metodologias de Ensino / Teaching methodologies
A UC segue um modelo pedagógico ativo, orientado por problemas e centrado no desenvolvimento progressivo de competências. Cada sessão combina uma exposição breve, destinada à clarificação conceptual e histórica, com seminários de leitura, análise de casos e atividades práticas. Os textos obrigatórios são trabalhados através de questões orientadoras, comparação de argumentos e aplicação a situações profissionais concretas. Os/as estudantes participam em laboratórios de decisão ética, nos quais identificam intervenientes, relações de poder, obrigações concorrentes, riscos, alternativas de ação e consequências previsíveis. São ainda analisados documentos profissionais, como códigos de ética, formulários de consentimento, termos de referência, planos de gestão de dados, relatórios institucionais e instrumentos de avaliação. As oficinas de comunicação pública permitem transformar argumentos antropológicos em formatos dirigidos a diferentes públicos, como policy briefs, podcasts, recursos pedagógicos, relatórios ou materiais digitais. O projeto de antropologia pública é desenvolvido por etapas: nota conceptual, mapa de partes interessadas, matriz de riscos, protótipo, apresentação e versão final. Este percurso favorece aprendizagem cumulativa, feedback formativo e revisão. A participação pode assumir modalidades orais e escritas, incluindo discussão plenária, trabalho em pequenos grupos, comentários críticos, análise documental e revisão por pares. O modelo valoriza autonomia, colaboração, reflexividade, responsabilidade ética e capacidade de transferir conhecimento antropológico para contextos profissionais diversos.
Demonstração da coerência das metodologias de ensino e avaliação com os objetivos de aprendizagem da UC / Evidence that the teaching and assessment methodologies are appropriate for the learning outcomes
As metodologias e a avaliação foram desenhadas por alinhamento construtivo com os resultados de aprendizagem. As exposições e seminários de leitura sustentam o conhecimento conceptual e a contextualização histórica. A análise de controvérsias, documentos institucionais e indicadores desenvolve a capacidade de interpretar criticamente políticas, organizações e tecnologias de governação. Os laboratórios de decisão ética exercitam a identificação de danos, obrigações concorrentes, relações de poder e alternativas de ação, preparando diretamente a análise individual do dilema ético. As oficinas de comunicação e o desenvolvimento faseado do projeto permitem aplicar conceitos a públicos e problemas concretos, desenvolver competências colaborativas e testar estratégias de tradução do conhecimento. O mapa de partes interessadas, a matriz de riscos, o plano de consentimento e a gestão de dados asseguram que colaboração, reflexividade e responsabilidade são avaliadas de forma explícita. O portefólio individual garante que a dimensão coletiva do projeto é acompanhada por análise autónoma da posição do/a estudante, das escolhas efetuadas e dos seus efeitos. A avaliação formativa oferece feedback antes das entregas finais e permite revisão progressiva. A combinação de trabalho individual e coletivo, análise académica e produção pública verifica não apenas a aquisição de conhecimentos, mas também a capacidade de os aplicar, comunicar e mobilizar eticamente em contextos profissionais.
Observações / Observations
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Bibliografia Principal / Main Bibliography
Abram, Simone, e Sarah Pink. 2015. Media, Anthropology and Public Engagement. Asad, Talal. 1973. “Introduction.” Anthropology and the Colonial Encounter. Borofsky, Robert. 2020. “Public Anthropology.” Guillemin, Marilys, e Lynn Gillam. 2004. “Ethics, Reflexivity, and ‘Ethically Important Moments’ in Research.” Hale, Charles R. 2006. “Activist Research v. Cultural Critique.”Lassiter, Luke Eric. 2005. “Collaborative Ethnography and Public Anthropology.” Low, Setha M., e Sally Engle Merry. 2010. “Engaged Anthropology: Diversity and Dilemmas.” Nolan, Riall W. 2013. Anthropology in Practice: Building a Career outside the Academy. Price, David H. 2016. Cold War Anthropology. Rappaport, Joanne. 2008. “Beyond Participant Observation.” Rylko-Bauer, Barbara, Merrill Singer, e John Van Willigen. 2006. “Reclaiming Applied Anthropology.” Shore, Cris, e Susan Wright. 2011. “Conceptualising Policy.” Simpson, Audra. 2007. “On Ethnographic Refusal.”
Bibliografia Secundária / Secondary Bibliography
• Abu-Lughod, L. 1991. “Writing Against Culture.” • Boas, F. 1919. “Scientists as Spies.” • Bourgois, P. 1990. “Confronting Anthropological Ethics.” • Caplan, P. 2003. The Ethics of Anthropology. • Cefkin, M. 2009. Ethnography and the Corporate Encounter. • Clifford, J., e Marcus, G. E. 1986. Writing Culture. • Couldry, N. 2010. Why Voice Matters. • Eriksen, T. H. 2006. Engaging Anthropology. • European Commission. 2026. Living Guidelines on the Responsible Use of Generative AI in Research. • Fassin, D. 2012. Humanitarian Reason. • Fluehr-Lobban, C. 2013. Ethics and Anthropology. • Hale, C. R. 2008. Engaging Contradictions. • Harrison, F. V. 1991. Decolonizing Anthropology. • Lederman, R. 2006. “The Perils of Working at Home.” • MacClancy, J. 2013. Anthropology in the Public Arena. • Matos, P. A. de. 2020. “Austerity Welfare and the Moral Significance of Needs in Portugal.” • Matos, P. A. de. 2021. “Bodies of and against Austerity.” • Merry, S. E. 2016. The Seductions of Quantification. • Meskell, L., e Pels, P. 2005. Embedding Ethics. • Mosse, D. 2005. Cultivating Development. • Pink, S., et al. 2016. Digital Ethnography. • Scheper-Hughes, N. 1995. “The Primacy of the Ethical.” • Shore, C., e Wright, S. 2015. “Governing by Numbers.” • Smith, L. T. 2021. Decolonizing Methodologies. • Strathern, M. 2000. Audit Cultures. • Ticktin, M. I. 2011. Casualties of Care.
Data da última atualização / Last Update Date
2026-07-21