Ficha Unidade Curricular (FUC)

Informação Geral / General Information


Código :
05244
Acrónimo :
05244
Ciclo :
3.º ciclo
Língua(s) de Ensino :
Inglês (en), Português (pt)
Língua(s) amigável(eis) :

Carga Horária / Course Load


Semestre :
2
Créditos ECTS :
2.0
Aula Teórica (T) :
0.0h/sem
Aula Teórico-Prática (TP) :
10.0h/sem
- Presencial (TP) :
10.0h/sem
Aula Prática e Laboratorial (PL) :
0.0h/sem
Trabalho de Campo (TC) :
0.0h/sem
Seminario (S) :
0.0h/sem
Estágio (E) :
0.0h/sem
Orientação Tutorial (OT) :
1.0h/sem
- Presencial (OT) :
1.0h/sem
Outras (O) :
0.0h/sem
Horas de Contacto :
11.0h/sem
Trabalho Autónomo :
39.0
Horas de Trabalho Total :
50.0h/sem

Área científica / Scientific area


Competências Transversais

Departamento / Department


Núcleo de Competências Transversais

Ano letivo / Execution Year


2026/2027

Pré-requisitos / Pre-Requisites


Não tem

Objetivos Gerais / Objectives


A UC tem como objetivo principal (O1) proporcionar aos estudantes uma visão crítica sobre os processos de construção de conhecimento, historicamente dominados por pressupostos eurocêntricos (coloniais, patriarcais), considerando perspetivas decoloniais e plurais que se baseiam em propostas pedagógicas, epistemológicas e metodológicas anticoloniais, feministas, autóctones, queer, entre outras. Neste sentido, a UC permite (O2) desenvolver competências para desenhar projetos de investigação de mestrado e doutoramento epistemológica e metodologicamente plurais e reflexivos, (O3) analisar a relação entre conhecimento e poder e (O4) promover uma prática de investigação eticamente situada e de acordo com a responsabilidade do/a investigador/a perante comunidades científicas plurais.

Objetivos de Aprendizagem e a sua compatibilidade com o método de ensino (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes) / Learning outcomes


No final da UC, o/as estudantes devem ser capazes de: OA1 – Conhecer tradições pedagógicas, epistemológicas e metodológicas decoloniais, distinguindo-as criticamente de pressupostos coloniais e eurocêntricos; OA2 – Colocar em diálogo crítico assunções consideradas canónicas com assunções historicamente alterizadas na criação de conhecimento; OA3 – Construir criticamente bibliografia plural, que inclua marcos teóricos e analíticos marginalizados em correntes dominantes; OA4 – Aplicar conceitos fundamentais inerentes a uma investigação de base plural e decolonial; OA5 – Avaliar métodos de recolha e de análise de dados quantitativos e qualitativos de acordo com perspectivas plurais e decoloniais; OA6 – Elaborar projetos de investigação de mestrado e doutoramento (desde o problema de pesquisa até à disseminação de resultados) que reflitam princípios de pluralidade epistemológica e metodológica e responsabilidade ética.

Conteúdos Programáticos / Syllabus


A UC estrutura-se em cinco módulos: 1. Universalismo do conhecimento provincial: a construção histórica da colonialidade do poder, do ser e do saber 2. Descolonização do pensamento e decolonialidade na academia 3. Conhecimentos situados, representação e interseccionalidade: Epistemologias e metodologias subalternas 4. Pedagogias do oprimido, co-produção de conhecimento e justiça epistémica 5. Metodologias de investigação, posicionalidade, co-produção e relações de poder

Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objetivos de aprendizagem da UC / Evidence that the curricular unit's content dovetails with the specified learning outcomes


A UC explora tradições pedagógicas, epistemológicas e metodológicas decoloniais e situadas. Através do reconhecimento dos processos históricos de construção de categorias tidas como universais e da colonialidade do poder, do ser e do saber, os/as estudantes conhecem sistemas de conhecimento diversos, colocando em diálogo pressupostos dominantes e subalternizados. O contacto com autores/as, epistemologias e metodologias subalternas permite aos/às estudantes construir criticamente uma bibliografia plural, aplicar conceitos fundamentais inerentes a uma investigação de base pluriversal e decolonial e escolher métodos de recolha e de análise de dados quantitativos e qualitativos considerando os princípios da justiça epistémica e da responsabilidade ética. De forma esquemática, a coerência entre os conteúdos da UC e os objetivos de aprendizagem expressa-se da seguinte forma: 1 – OA1, OA2, OA4; 2 – OA1, OA2, OA5, OA6; 3 – OA1, OA2, OA3, OA4; 4 – OA1, OA3, OA4, OA6; 5 – OA3, OA4, OA5, OA6;

Avaliação / Assessment


'1. Avaliação ao longo do semestre a) Presença e participação ativa nas aulas (mínimo de 60% assistência a aulas) – 30% A participação ativa nas aulas refere-se à participação nos debates centrados em conceitos, análise de excertos de textos, análise de imagens, com um trabalho prévio em aula ou autonomamente fora do espaço da aula. Neste item, considera-se o rigor conceptual, o pensamento crítico e a construção de um discurso coerente e informado. b) Exercício escrito individual – 30% Exercício escrito, realizado em sala de aula, de reflexão sobre posicionalidade, considerando as seguintes dimensões: língua, género, classe, identidade étnica, relação com o objeto de estudo. c) Projeto de investigação individual – 40% O projeto de investigação a apresentar no âmbito da UC pretende que o/a estudante aborde o problema de pesquisa a desenvolver no mestrado ou no doutoramento com uma perspetiva decolonial. Este trabalho terá as seguintes secções: Questão e objetivos de investigação; Quadro teórico decolonial; Estratégias metodológicas com uma reflexão decolonial; bibliografia crítica. Considera-se, ainda, a organização do texto, a organização coerente do trabalho, a correção gramatical, bem como o rigor na explanação escrita dos temas. O uso de ferramentas de IA deve ser transparente, declarado e compatível com as regras de integridade académica, incluindo para o efeito a declaração de uso e indicação da prompt utilizada para geração de conteúdo. A deteção de plágio ou outras formas de fraude académica nos elementos de avaliação implicam a sua anulação. Poderá, também, ser realizada uma prova oral complementar item de avaliação c). Para efeitos de avaliação ao longo do semestre, é obrigatória a presença e participação em, pelo menos, 80% das aulas. 2. Exame escrito final

Metodologias de Ensino / Teaching methodologies


A UC combina diferentes metodologias de ensino. Na primeira aula, através de métodos da Pedagogia do Oprimido, constroem-se quadros conceptuais e debatem-se, em formato “djumbai”, conceitos relacionados com o questionamento das assunções universalizantes da construção do saber e com a construção histórica da colonialidade do poder, do saber e do ser. As restantes aulas combinam exposição teórica com metodologias participativas e colaborativas. Estas incluem “djumbais” e seminários dialogados com análise crítica de artigos, de projetos de investigação e de outros formatos de construção do conhecimento, de modo a identificar linguagem exotizante, hierarquias de citação, naturalizações, ausências, quadros metodológicos desadequados. Também se realizam exercícios de posicionalidade e reflexivos sobre o que significa a descolonização da academia e o papel do/a investigador/a.

Demonstração da coerência das metodologias de ensino e avaliação com os objetivos de aprendizagem da UC / Evidence that the teaching and assessment methodologies are appropriate for the learning outcomes


As metodologias de ensino adequam-se aos objetivos de aprendizagem, pois permitem que os/as estudantes conheçam tradições pedagógicas, epistemológicas e metodológicas pluriversais e decoloniais e que as apliquem na construção de conhecimento e nos seus projetos de mestrado e de doutoramento. Metodologias de ensino participativas e colaborativas, como o quadro da Pedagogia do Oprimido ou “djumbais” promovem uma co-construção situada de conhecimento crítica, problematizadora e consciente da colonialidade do poder, do ser e do saber. A combinação entre exposições teóricas e metodologias participativas permitem que os/as estudantes conheçam autores/as e as suas propostas teóricas e metodológicas que têm sido subalternizados. Com este formato de aulas que combina debates, exposições e análise crítica de corpus diversos, os/as estudantes também consolidam conceitos e marcos que poderão aplicar aos seus projetos de forma dialógica, responsável e ética e não meramente cosmética. Ao identificarem linguagem exotizante, hierarquias de citação, ausências, naturalizações e quadros metodológicos desadequados, os/as estudantes desenvolvem competências para reconhecer os mecanismos através dos quais vozes, conceitos e métodos são legitimados, enquanto outros são marginalizados. Esta prática permite construir bibliografias mais plurais e avaliar criticamente métodos quantitativos e qualitativos, considerando relações de poder, lugares de enunciação, formas de representação, extração de dados e responsabilidade perante sujeitos, comunidades e territórios investigados. Por fim, ao refletirem sobre o seu próprio papel enquanto investigadores/as, os/as estudantes são levados/as a compreender que a investigação implica escolhas situadas e consequências éticas. Esta dimensão prepara para a elaboração de projetos de mestrado e doutoramento coerentes com princípios de pluralidade epistemológica e metodológica, desde a formulação do problema de pesquisa até à disseminação dos resultados.

Observações / Observations


'A bibliografia apresentada na FUC é predominantemente em língua inglesa, dado integrar autores que publicam apenas nessa língua e artigos académicos recentes com revisão por pares recentes. No decurso das aulas, poderão ser facultados textos em outras línguas e, ainda, textos que respondam a questões específicas dos projetos dos/as estudantes.

Bibliografia Principal / Main Bibliography


'Abu Moghli, M., & Kadiwal, L. (2021). Decolonising the curriculum beyond the surge: Conceptualisation, positionality and conduct. London Review of Education, 19(1). https://doi.org/10.14324/lre.19.1.2 Antilao-Carilao, E. (2026). Un diseño metodológico mapuche para co-construir problemas de investigación desde las ciencias sociales occidentales. CUHSO (Temuco), 36(02). https://dx.doi.org/10.7770/cuhso-v36n1-art757 Chilisa, B. (2012). Indigenous Research Methodologies. SAGE Freire, P. (2024 [1968]). Pedagogia do Oprimido. Afrontamento hooks, b. (1994). Teaching to transgress: Education as the practice of freedom. Routledge Mignolo, W. D. (2011). The darker side of Western modernity: Global futures, decolonial options. Duke University Press Smith, L. T. (2021). Decolonizing methodologies: Research and indigenous peoples. Bloomsbury Publishing

Bibliografia Secundária / Secondary Bibliography


'Arámbulo, E., Mendoza, E., & Lárez, J. (2025). Del extractivismo epistémico al epistemicidio: en torno a la descolonización del saber y del ser en la academia latinoamericana. https://doi.org/10.5281/zenodo.17972742 Fahlberg, A. (2023). Decolonizing Sociology Through Collaboration, Co-Learning and Action: A Case for Participatory Action Research1. Sociol Forum, 38, 95-120. https://doi.org/10.1111/socf.12867 Hall, B.L. and Tandon, R. (2017). Decolonization of knowledge, epistemicide, participatory research and higher education. Research for All, 1 (1), 6–19. https://doi.org/10.18546/RFA.01.1.02 Jammulamadaka, N. & Faria, A. (2023). Decolonizing Inclusion in Performing Academia: Trans-inclusion as Phronetic Border Thinking/doing Praxis. Gender, Work & Organization, 30(2), 431–456. https://doi.org/10.1111/gwao.12955. Lazarus, S. (2025). An Autoethnographic Perspective on Scholarly Impact, Citation Politics, and North–South Power Dynamics. Life Writing, 22(3), 603–629. https://doi.org/10.1080/14484528.2024.243066 Nwosimiri, O. (2022). Engaging in African Epistemology as a Form of Epistemic Decolonization. Filosofia Theoretica: Journal of African Philosophy, Culture and Religions, 11(2), 75–88. https://doi.org/10.4314/ft.v11i2.6 Ofosu-Asare, Y. (2026). Dialogues of liberation: a synthetic analysis of Fanon, Cabral, and Nkrumah through integrated postcolonial lenses. African Identities, 00(00), 1–19. https://doi.org/10.1080/14725843.2026.2653771 Silva, G. J. da. (2024). “Dar voz” ou “dar ouvidos” aos subalternizados? O “Sul global” em perspectiva na obra de Silvia Rivera Cusicanqui. Revista Tempo E Argumento, 16(43). https://doi.org/10.5965/2175180316432024e0108 Sippel, C. S., & Ucelo Jiménez, M. (2025). From epistemic erasure to epistemic resistance: autoethnographic reflections on the potential of body mapping in decolonising methodologies. Third World Quarterly, 46(14), 1774–1795. https://doi.org/10.1080/01436597.2025.2527813

Data da última atualização / Last Update Date


2026-07-27