Ficha Unidade Curricular (FUC)
Informação Geral / General Information
Carga Horária / Course Load
Área científica / Scientific area
Competências Transversais
Departamento / Department
Núcleo de Competências Transversais
Ano letivo / Execution Year
2026/2027
Pré-requisitos / Pre-Requisites
Não se aplica
Objetivos Gerais / Objectives
A UC tem como objetivo geral sensibilizar e capacitar os/as estudantes para a integração de uma perspetiva de género nos seus projetos de investigação, promovendo uma compreensão crítica das implicações do género na produção de conhecimento científico. A metodologia de ensino assenta na revisão dos principais conceitos e definições, nomeadamente sexo, género, desigualdades e estereótipos de género, bem como na apresentação de teorias, abordagens epistemológicas e metodologias sensíveis ao género. Propõe ainda a análise de exemplos de investigação integradora da perspetiva de género e a discussão crítica dos projetos dos/as estudantes, visando identificar possibilidades e estratégias de incorporação da dimensão de género de forma cientificamente fundamentada e adequada às diferentes áreas disciplinares.
Objetivos de Aprendizagem e a sua compatibilidade com o método de ensino (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes) / Learning outcomes
No final da UC, cada estudante deverá ser capaz de: OA1. Definir os conceitos de sexo, género, identidade de género e intersecionalidade, distinguindo-os com rigor terminológico. OA2. Identificar e exemplificar estereótipos e desigualdades de género presentes no contexto académico e científico. OA3. Contatar com as principais correntes epistemológicas sensíveis ao género e as suas implicações na produção de conhecimento. OA4. Criticar de forma fundamentada pressupostos androcêntricos em estudos científicos concretos. OA5. Diferenciar abordagens metodológicas relevantes e o seu contributo para a crítica da neutralidade científica. OA6. Identificar oportunidades e limitações de incorporação da dimensão de género no seu próprio projeto de investigação. OA7. Desenvolver uma proposta de integração da perspetiva de género adequada à sua área e nível de estudos.
Conteúdos Programáticos / Syllabus
CP1 - Fundamentos conceptuais. Revisão crítica dos conceitos estruturantes (sexo, género, intersecionalidade) e dos principais estereótipos e desigualdades de género no contexto científico. CP2 - Epistemologias sensíveis ao género. Análise das abordagens epistemológicas, incluindo: o standpoint feminism (Harding; Smith), o conhecimento situado (Haraway), a intersecionalidade (Crenshaw; Hill Collins), a objetividade forte (Harding) e o impacto que estas podem ter no desenho de pesquisas mais inclusivas. CP3 - Metodologias sensíveis ao género. Apresentação de estratégias metodológicas qualitativas e quantitativas para integrar a perspetiva de género em projetos de investigação: posicionamento da pessoa que investiga, instrumentos e métodos, análise de dados desagregados por sexo/género e linguagem inclusiva. CP4 – Crítica na investigação científica. Análise crítica da integração da dimensão de género em casos de investigação em diferentes domínios científicos.
Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objetivos de aprendizagem da UC / Evidence that the curricular unit's content dovetails with the specified learning outcomes
O CP1 fornece o quadro teórico sem o qual os restantes blocos não podem ser compreendidos nem aplicados. Permite que o/a estudante defina conceitos estruturantes (OA1) e identifique estereótipos e desigualdades de género no meio científico (OA2). O contacto com as principais correntes epistemológicas (CP2) permite compreender como o género estrutura a produção de conhecimento científico (OA3) e identificar enviesamentos universalistas em estudos (OA4). A apresentação de estratégias metodológicas, qualitativas e quantitativas, com dimensão de género (CP3), possibilita conhecer a relevância do aparato metodológico que problematiza a neutralidade científica (OA5), capacitando o/a estudante para a vigilância epistemológica do seu desenho de pesquisa (OA6, OA7). A análise de estudos concretos sob uma matriz sensível ao género (CP4) possibilita avaliar exemplos e transferir esse conhecimento para a área disciplinar e respetivos projetos de investigação (OA4, OA6 e OA7).
Avaliação / Assessment
'Nesta UC, os/as estudantes podem optar pela avaliação ao longo do semestre ou pela avaliação por exame. Na avaliação ao longo do semestre, espera-se que os/as estudantes participem nas aulas, realizem um trabalho escrito individual sobre a integração da perspetiva de género na sua investigação e o apresentem oralmente. Os vários elementos de avaliação têm a seguinte ponderação na classificação final: - Trabalho individual (projeto individual escrito + apresentação oral) – 70% - A assiduidade (ou seja, a presença em pelo menos 80% das aulas: 4 aulas) e a participação nos debates nas aulas – 30% Avaliação final (100%) - Ainda que não seja recomendado, é possível optar pela avaliação final, através da entrega e defesa oral do projeto individual. Os critérios de avaliação do trabalho e do exame serão: qualidade da apresentação dos argumentos e das propostas conceptuais e metodológicas, reflexividade crítica e qualidade da forma. O uso de ferramentas de IA deve ser transparente, declarado e compatível com as regras de integridade académica, incluindo para o efeito a declaração de uso e indicação da prompt utilizada para geração de conteúdo.
Metodologias de Ensino / Teaching methodologies
Refletindo o modelo pedagógico do Iscte, assente na promoção de uma aprendizagem ativa, reflexiva e orientada para o desenvolvimento de competências de investigação de nível avançado, adequadas ao 2.º e 3.º ciclo de estudos, a UC combina: - a componente teórica desenvolve-se a partir da exposição e discussão dos quadros conceptuais, epistemológicos e metodológicos que estruturam a UC. A mobilização de recursos pedagógicos permite o entendimento e aplicação de matrizes epistemológicas e metodológicas sensíveis ao género, em contextos diferenciados. Incentiva-se a participação crítica dos/as estudantes na análise dos conteúdos apresentados. - a componente teórico-prática mais centrada no/a estudante, organiza-se em torno de exercícios práticos e estudos de caso debatidos em sala de aula e na apresentação e discussão dos projetos de investigação dos/as próprios/as estudantes. Esta é uma metodologia de aprendizagem especialmente relevante em estudantes nestes ciclos de estudos, onde a autonomia e reflexividade investigativa são competências nucleares. - a componente de trabalho autónomo pressupõe que o/a estudante dê continuidade, fora da sala de aula, através da leitura de textos indicados, ao contacto com conceitos, abordagens epistemológicas e metodológicas, para que possa elaborar progressivamente uma proposta escrita de integração da perspetiva de género no seu projeto, o que constitui a peça principal de avaliação da UC. Privilegiam-se metodologias ativas, mobilizando os conhecimentos adquiridos nas aulas teóricas para situações concretas, situadas nas áreas científicas dos/as estudantes. A apresentação e discussão crítica dos projetos individuais, permite que cada estudante identifique oportunidades de incorporação da perspetiva de género no seu próprio trabalho de investigação. O ambiente de partilha interpares é também valorizado como recurso pedagógico, dado o caráter transversal e multidisciplinar da UC.
Demonstração da coerência das metodologias de ensino e avaliação com os objetivos de aprendizagem da UC / Evidence that the teaching and assessment methodologies are appropriate for the learning outcomes
As metodologias de ensino preconizadas para a UC, de carácter expositivo, participativo e ativo, favorecem a prossecução dos objetivos de aprendizagem. Nas aulas teóricas, a exposição dialogante dos temas teóricos, epistemológicos e metodológicos constantes do programa da UC, vai ao encontro dos objetivos de aprendizagem OA1, OA2 e OA3. Nas aulas teórico-práticas, a aprendizagem baseada na discussão crítica interpares de estudos concretos, usando uma lente de género, permite abranger diretamente os objetivos de aprendizagem OA4, OA6 e OA7. A análise crítica autónoma de artigos e textos científicos mobiliza os objetivos de aprendizagem OA1 a OA7, robustecendo a capacidade de identificar e fundamentar a presença ou ausência da perspetiva de género em investigações reais. Por fim, a elaboração progressiva da proposta escrita de integração da perspetiva de género no projeto de investigação individual, que representa o produto de síntese da UC, abrange também de forma integrada todos os objetivos de aprendizagem, em particular os OA6 e OA7, que exigem um nível de reflexão e criação que beneficia do trabalho autónomo, sustentado e acompanhado ao longo das aulas.
Observações / Observations
Bibliografia Principal / Main Bibliography
'Butler, Judith (2017). Problemas de género: feminismo e subversão da identidade. Lisboa: Orfeu Negro (1990- edição original) Collins, Patricia Hill, and Sirma Bilge (2016), Intersectionality, Hoboken, NJ: John Wiley & Sons. Connell, Raewyn 2014. Gender in World Perspective. Cambridge: Polity PresDivers Haraway, Donna (1988). Situated Knowledges: The Science Question in Feminism and the Privilege of Partial Perspective. Feminist Studies,14 (3), 575-599. https://doi.org/10.2307/3178066 Harding, Sandra (1987). Introduction: is there a feminist method? In S. Harding, Feminism and Methodology (pp. 1-15). Bloomington: Indiana University Press. Mies, Maria (1983). Towards a methodology for feminist research. In G. Bowles, & R. D. Klein, Theories of women's studies (pp. 117-138). Routledge & Kegan Paul. Smith, Dorothy. E. (1987). Women's perspective as a radical critique of sociology. In S. Harding, Feminism and Methodology (pp. 84-96). Bloomington: Indiana University Press.
Bibliografia Secundária / Secondary Bibliography
'Amâncio, Lígia (1994), Masculino e Feminino. A Construção Social da Diferença, Porto, Edições Afrontamento/ICS. Hughes, Christina, & Cohen, Rachel Lara (2010). Feminists really do count: the complexity of feminist methodologies. International Journal of Social Research Methodology, 13 (3), 189-196. https://doi.org/10.1080/13645579.2010.482249 Oakley, Ann (2016). Interviewing Women Again: Power, Time and the Gift. Sociology, Vol. 50(1), 195-213. https://doi.org/10.1177/0038038515580253 Pereira, Maria do Mar (2025),"Rethinking Power and Positionality in Debates about Citation: Towards a Recognition of Complexity and Opacity in Academic Hierarchies", The Sociological Review, 73 (6), 1179-1200.https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/00380261241274872 Perez, Caroline Criado (2020). Mulheres Invisíveis. Como os dados configuram o mundo feito para os homens. Lisboa: Relógio D’Água. Stanley, Liz, & Wise, Sue (1993). Breaking out again - Feminist ontology and epistemology. New York: Routledge. Torres, Anália (2016). Porque precisamos de Estudos de Género, Feministas e de Estudos sobre as Mulheres? CIEG – Centro Interdisciplinar de Estudos de Género. https://tinyurl.com/368pvz3d
Data da última atualização / Last Update Date
2026-07-27