Ficha Unidade Curricular (FUC)
Informação Geral / General Information
Carga Horária / Course Load
Área científica / Scientific area
Estudos Internacionais
Departamento / Department
ISCTE
Ano letivo / Execution Year
2026/2027
Pré-requisitos / Pre-Requisites
Necessário experiência prévia ou interesse em trabalhar em áreas relacionadas com a manutenção da paz, segurança internacional, relações internacionais, defesa ou áreas afins.
Objetivos Gerais / Objectives
Esta UC visa proporcionar uma compreensão aprofundada dos desafios contemporâneos da segurança e da manutenção da paz num contexto de transformação da ordem global. Com base nos quadros normativos da ONU – Pacto para o Futuro (2024) e Nova Agenda para a Paz (2023) – a UC analisa os principais vetores de mudança da arquitetura de paz e segurança internacional: ameaças híbridas, ciberguerra, conflitos climáticos e fragmentação do multilateralismo. Integra ainda uma dimensão prática centrada em negociação, mediação e análise estratégica, articulando perspetivas académicas e diplomáticas com os desafios de organizações internacionais, governos, setor privado e sociedade civil. A parceria com a Divisão para a Paz da UNITAR assegura um alinhamento com padrões da ONU e reconhecimento internacional.
Objetivos de Aprendizagem e a sua compatibilidade com o método de ensino (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes) / Learning outcomes
No final da UC, cada estudante deverá ser capaz de: OA1 - Explicar os principais quadros normativos da ONU em paz e segurança (Pacto para o Futuro; Nova Agenda para a Paz), identificando implicações práticas para profissionais. OA2 - Identificar e comparar desafios contemporâneos à segurança internacional: ameaças híbridas, ciberconflitos, segurança climática e proteção de civis. OA3 - Aplicar técnicas de negociação e mediação em situações simuladas de conflito, adaptando-as a contextos multilaterais e multisetorial. OA4 - Analisar o papel de diferentes atores (Estados, OIs, setor privado e sociedade civil) na prevenção de conflitos. OA5 - Formular recomendações de política fundamentadas, com base em casos reais de operações de paz e gestão de crises. OA6 - Desenvolver capacidades de liderança em contextos de incerteza, integrando questões de ética e perspetivas na análise da paz e segurança.
Conteúdos Programáticos / Syllabus
O programa é organizado em torno de 5 conteúdos programáticos (CPs), incluindo uma fase online preparatória e uma componente presencial. CP1 - (Online) Ordem global em transformação; Pacto para o Futuro e Nova Agenda para a Paz; Operações de Paz Contemporâneas CP2 - Diplomacia multilateral; Conselho de Segurança da ONU e dinâmicas de coligação; A posição de Portugal no contexto da paz e segurança internacionais CP3 - Ameaças híbridas e ciberguerra; Segurança climática e conflitos de recursos; Proteção de civis; Sistemas de alerta precoce e prevenção de conflitos CP4 - Técnicas de negociação; Competências de mediação; Planeamento de missões integradas; Coordenação civil-militar; Simulação de crise CP5 - Papel do setor privado na prevenção de conflitos; Ética, género, paz e segurança (RCSNU 1325); Recomendações de política orientadas para a ação
Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objetivos de aprendizagem da UC / Evidence that the curricular unit's content dovetails with the specified learning outcomes
Os conteúdos programáticos foram desenhados em articulação direta com os OA, assegurando que cada conteúdo contribui para pelo menos um objetivo específico. O CP1 (Online) associa-se ao OA1, ao enquadrar os quadros normativos da ONU e o panorama das operações de paz. O CP2 contribui para o OA4 e OA5, analisando o papel dos atores no sistema multilateral e contribuindo para o desenvolvimento de recomendações. O CP3 está associado ao OA2, permitindo comparar diferentes ameaças à paz e segurança. O CP4 é o principal veículo do OA3, através de simulações e workshops de aplicação. O CP5 articula o OA4, OA5 e OA6 através de apresentações de grupo, da análise dos principais atores, e da aplicação de uma dimensão de ética e perspetiva de género na capacitação de liderança de profissionais na área.
Avaliação / Assessment
O sistema de avaliação desta UC é adequado ao perfil de um curso de especialização não conferente de grau, tendo em conta a necessidade de simplificar a emissão do certificado de especialização. A avaliação realiza-se ao longo do programa (avaliação ao longo do semestre), não estando prevista modalidade de avaliação por exame. É assente nos seguintes elementos: 1. Teste online [individual] – 20%: Teste realizado no final da fase síncrona online, de carácter individual. Avalia a aquisição dos conhecimentos e quadros conceptuais transmitidos pelos oradores convidados. O teste online individual é realizado de forma síncrona, dentro de uma janela temporal limitada, através da plataforma de gestão de aprendizagem do Iscte, com perguntas de aplicação direta aos conteúdos e casos trabalhados na fase online, geradas a partir de um banco aleatorizado por participante e sem possibilidade de retrocesso. Antes do início, os participantes confirmam uma declaração de integridade académica, atestando a realização autónoma do teste, sem recurso a ferramentas de inteligência artificial ou apoio de terceiros. 2. Participação ativa nas sessões presenciais [individual e grupo] – 20%: Envolvimento em debates, simulações e workshops ao longo da semana presencial, incluindo o exercício de simulação de crise. Avalia competências de análise, comunicação e trabalho colaborativo em contexto real. 3. Apresentações individuais finais [individual] – 30%: Apresentação oral individual, realizada no último dia da semana presencial, sobre um dos temas abordados no curso. Avalia a capacidade de síntese, argumentação e comunicação em contexto profissional. 4. Trabalho final escrito [individual] – 30%: Documento escrito individual (1000–1500 palavras) com recomendações de política fundamentadas sobre um dos temas do curso, a ser entregue até 3 semanas após conclusão do programa. A classificação final é expressa numa escala de 0 a 20 valores. A aprovação exige classificação mínima de 10 valores. Não está prevista nota mínima por cada elemento individual de avaliação. Não são aplicados critérios obrigatórios de assiduidade mínima, dada a natureza intensiva do programa e a diversidade do público-alvo; no entanto, recomenda-se a presença em pelo menos 80% das sessões presenciais para garantir a coerência da experiência de aprendizagem.
Metodologias de Ensino / Teaching methodologies
A UC adopta uma metodologia híbrida, combinando uma fase online síncrona preparatória (10h) com uma semana intensiva presencial (20h + visitas de estudo), em conformidade com os princípios de aprendizagem ativa e dialógica que informam o modelo pedagógico do Iscte, e com as especificidades de um público profissional e internacional. Na fase online síncrona (10h), os participantes assistem, em tempo real, a sessões de webinar/videoconferência (via Teams ou plataforma equivalente) com oradores e palestrantes convidados, especialistas nas temáticas do programa. Cada sessão inclui um momento de Q&A que permite a interação direta entre os participantes e os oradores. Esta fase, com 8 horas de ensino teórico (T) e 2 horas de orientação tutorial (OT), tem como objetivo proporcionar um enquadramento conceptual e temático robusto, que serve de preparação e introdução à semana presencial. O número de módulos e oradores é definido em cada edição pelo coordenador da UC, em articulação com a UNITAR, assegurando diversidade disciplinar, geográfica e de género Durante a semana presencial intensiva (20h de contacto + visitas), as sessões combinarão exposição participada (T) com aulas teórico-práticas (TP) e trabalho de campo (TC). As metodologias ativas incluem: (i) debates e discussões guiadas sobre estudos de caso reais; (ii) simulações e role-playing (negociação, mediação, simulação de crise, coligação); (iii) workshops práticos com profissionais da ONU, diplomatas e especialistas; (iv) visitas de estudo a missões diplomáticas e organizações internacionais em Lisboa; (v) apresentações individuais finais para síntese e aplicação dos conhecimentos. Para além das 10 horas da fase online, os participantes deverão dedicar tempo de preparação entre sessões, incluindo leituras específicas, pesquisa e elaboração do trabalho de avaliação. O trabalho autónomo total estimado para a UC é de aproximadamente 20-25 horas, contemplando a preparação para as sessões presenciais e a redação do trabalho de avaliação final. A equipa docente é constituída por professores do Iscte com especialização em estudos internacionais e segurança, complementada por especialistas convidados da UNITAR, diplomatas, e representantes de organizações internacionais.
Demonstração da coerência das metodologias de ensino e avaliação com os objetivos de aprendizagem da UC / Evidence that the teaching and assessment methodologies are appropriate for the learning outcomes
As metodologias de ensino e de avaliação foram selecionadas em função dos objetivos de aprendizagem definidos, de forma a garantir a coerência da UC. A fase online síncrona (CP1) contribui para o OA1 através de sessões expositivas em tempo real com oradores convidados, que permitem uma abordagem estruturada dos quadros normativos da ONU e das operações de paz contemporâneas. O teste online individual realizado no final desta fase é o instrumento de avaliação mais coerente com o OA1, uma vez que exige que os participantes demonstrem a aquisição dos conhecimentos e quadros conceptuais transmitidos, mobilizando-os de forma individual e objectiva. As sessões presenciais mobilizam metodologias ativas e participativas (TP, TC, S) especialmente adequadas para os OA2, OA3, OA4 e OA5, uma vez que estes objetivos implicam competências de análise, aplicação, síntese e avaliação. Os debates e discussões guiadas sobre casos reais (OA2, OA4) estimulam o pensamento crítico e a construção colaborativa de conhecimento. As simulações e role-playing (OA3) colocam os participantes em situações de aplicação prática que exigem a mobilização integrada de conhecimentos teóricos e competências relacionais. As visitas de estudo (TC) permitem o contacto direto com contextos reais de diplomacia e organizações internacionais, reforçando o OA4. A participação ativa nas sessões presenciais é o instrumento de avaliação mais adequado para o OA3, uma vez que os exercícios de simulação e negociação não são replicáveis fora do contexto grupal e em tempo real. As apresentações individuais finais, realizadas no último dia da semana presencial, avaliam principalmente o OA5 e o OA6, ao exigir que cada participante sintetize construa uma argumentação fundamentada e a comunique com clareza em contexto profissional. O trabalho final escrito de recomendações de política aprofunda esta articulação com o OA5 e o OA6, acrescentando uma dimensão de reflexão mais elaborada e sustentada, que a natureza escrita e diferida do instrumento permite desenvolver com maior profundidade. A coerência entre elementos de avaliação e objetivos de aprendizagem é assim assegurada através da complementaridade dos quatro elementos previstos, que cobrem de forma integrada todos os seis objetivos de aprendizagem definidos.
Observações / Observations
Esta UC contribui diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes) e 17 (Parcerias para a Implementação dos Objetivos), ao desenvolver competências para a construção e manutenção da paz, o reforço das instituições multilaterais e a promoção de parcerias entre atores públicos, privados e da sociedade civil. Contribui ainda para o ODS 5 (Igualdade de Género), através da integração curricular das perspetivas de género na paz e segurança (RCSNU 1325), e para o ODS 13 (Ação Climática), ao abordar a segurança climática como vetor de conflito. O uso de ferramentas de IA generativa (ex. ChatGPT, Claude) é permitido nas atividades de preparação e pesquisa, de acordo com o Guia para uma Utilização Responsável da Inteligência Artificial em Trabalhos Académicos do Iscte, mas não na produção final dos trabalhos de avaliação. Sempre que utilizada, a ferramenta utilizada deve ser identificada e a prompt deve ser indicada em nota de rodapé ou em apêndice. Os trabalhos que não cumpram esta norma serão penalizados. Dado o carácter dinâmico da agenda de paz e segurança internacional, o coordenador da UC reserva-se o direito de introduzir ajustamentos pontuais ao programa, nomeadamente na seleção de casos de estudo, convidados e visitas de estudo, de forma a garantir a atualidade e relevância dos conteúdos em cada edição.
Bibliografia Principal / Main Bibliography
Williams, P. D., & Bellamy, A. J. (2021). Understanding Peacekeeping. 3rd ed. Polity Press. | Howard, L. M. (2019). Power in Peacekeeping. Cambridge University Press. | Caplan, R. (2019). Measuring Peace: Principles, Practices, and Politics. Oxford University Press. | Mac Ginty, R., & Wanis-St. John, A. (eds.) (2022). Contemporary Peacemaking: Peace Processes, Peacebuilding and Conflict. 3rd ed. Palgrave Macmillan / Springer. | Bove, V., Ruffa, C., & Ruggeri, A. (2020). Composing Peace: Mission Composition in UN Peacekeeping. Oxford University Press. | Hultman, L., Kathman, J. D., & Shannon, M. (2019). Peacekeeping in the Midst of War. Oxford University Press. | United Nations (2023). A New Agenda for Peace. Office of the Secretary-General. | United Nations (2024). Pact for the Future. Summit of the Future.
Bibliografia Secundária / Secondary Bibliography
Hultman, L., Kathman, J. D., & Shannon, M. (2013). “United Nations Peacekeeping and Civilian Protection in Civil War.” American Journal of Political Science, 57(4), 875–891. | Bellamy, A. J. (2023). “The Responsibility to Protect.” In P. D. Williams (ed.), Security Studies: An Introduction. 4th ed., 268–283. Taylor & Francis. | Bellamy, A. J. (2022). “The United Nations and Peacemaking.” In R. Mac Ginty & A. Wanis-St. John (eds.), Contemporary Peacemaking, 83–101. Palgrave Macmillan. | Hultman, L., Kathman, J. D., & Shannon, M. (2016). “United Nations Peacekeeping Dynamics and the Duration of Post-Civil Conflict Peace.” Conflict Management and Peace Science, 33(3), 231–249. | Hultman, L., Kathman, J., & Shannon, M. (2014). “Beyond Keeping Peace: United Nations Effectiveness in the Midst of Fighting.” American Political Science Review, 108(4), 737–753. | Nilsson, D. (2012). “Anchoring the Peace: Civil Society Actors in Peace Accords and Durable Peace.” International Interactions, 38(2), 243–266. | Zartman, I. W., & Faure, G. O. (eds.) (2005). Escalation and Negotiation in International Conflicts. Cambridge University Press. | Crocker, C. A., Hampson, F. O., & Aall, P. (eds.) (2001). Turbulent Peace: The Challenges of Managing International Conflict. United States Institute of Peace Press. | Bellamy, A. J. (2024). “Internationalized Civil War.” In A. Gruszczak & S. Kaempf (eds.), Routledge Handbook of the Future of Warfare, 389–399. Routledge.
Data da última atualização / Last Update Date
2026-09-28