Ficha Unidade Curricular (FUC)
Informação Geral / General Information
Carga Horária / Course Load
Área científica / Scientific area
Sociologia
Departamento / Department
Departamento de Sociologia
Ano letivo / Execution Year
2026/2027
Pré-requisitos / Pre-Requisites
Nenhuns.
Objetivos Gerais / Objectives
Proporcionar uma introdução sistemática às principais teorias sociológicas contemporâneas, situando-as nas respectivas tradições teóricas e analisando os seus conceitos, pressupostos e mecanismos explicativos. Desenvolver a capacidade de compreender, comparar e avaliar criticamente diferentes perspectivas macrossociológicas e microssociológicas, bem como distintas propostas de articulação entre estrutura e acção, promovendo a sua utilização na análise de problemas sociológicos.
Objetivos de Aprendizagem e a sua compatibilidade com o método de ensino (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes) / Learning outcomes
(a) Adquirir conhecimentos sólidos sobre as principais teorias, correntes e autores da sociologia contemporânea, compreendendo os respectivos problemas, conceitos e mecanismos explicativos. (b) Desenvolver a capacidade de reconstruir e interpretar arquitecturas teóricas a partir de textos sociológicos. (c) Desenvolver competências de comparação sistemática entre diferentes perspectivas teóricas, identificando convergências, divergências, capacidades explicativas e limites. (d) Desenvolver a capacidade de mobilizar conceitos e perspectivas teóricas na análise de problemas e casos sociológicos concretos. (e) Desenvolver autonomia na argumentação teórica e na avaliação crítica de explicações sociológicas alternativas.
Conteúdos Programáticos / Syllabus
I. Introdução 1. A Pluralidade da Teoria 2. Controvérsias e Tradições 3. Desafios da Pluralidade para a Sociologia 4. Algumas tendências principais: reducionismo e síntese II. Desenvolvimentos macrossociológicos contemporâneos 5. As perspectivas macrossociológicas contemporâneas 6. A Teoria Sistémica da Diferenciação de Luhmann 7. A Teoria da Acção Comunicativa de Habermas III. Desenvolvimentos microssociológicos contemporâneos 8. As perspectivas microssociológicas contemporâneas 9. A Teoria das Cadeias de Rituais de Interacção de Collins 10. O Individualismo Metodológico de Boudon IV. A articulação entre estrutura e acção na teoria sociológica contemporânea 11. O problema da articulação entre estrutura e acção 12. A Teoria da Estruturação de Giddens 13. A Teoria Morfogenética de Archer 14. A Teoria da Prática de Bourdieu 15. A Teoria da Pluralidade Disposicional de Lahire V. Conclusão 16. Comparação e integração das principais arquitecturas teóricas contemporâneas
Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objetivos de aprendizagem da UC / Evidence that the curricular unit's content dovetails with the specified learning outcomes
1. A introdução à pluralidade teórica, às controvérsias e às principais tradições, seguida dos blocos dedicados às perspectivas macrossociológicas, microssociológicas e à articulação entre estrutura e acção, assegura conhecimentos sistemáticos sobre teorias, autores, conceitos e mecanismos explicativos (objectivo a). 2. O estudo das diferentes arquitecturas teóricas desenvolve competências de reconstrução e interpretação de perspectivas sociológicas a partir de textos (objectivo b). 3. A comparação entre teorias permite identificar convergências, divergências, capacidades explicativas e limites (objectivo c). 4. A aplicação das perspectivas a problemas e casos sociológicos promove competências de utilização analítica da teoria (objectivo d). 5. A análise comparativa e crítica das explicações sociológicas desenvolve autonomia na argumentação e na avaliação de explicações alternativas (objectivo e).
Avaliação / Assessment
A avaliação contempla duas modalidades em 1.ª época: avaliação ao longo do semestre ou exame final, não podendo os estudantes realizar ambas. Na avaliação ao longo do semestre, a classificação final resulta da média ponderada dos seguintes elementos: 1. Assiduidade, 5%: é obrigatória a presença em pelo menos 70% das aulas, correspondentes a 17 das 24 aulas. Cumprido este requisito, a classificação de assiduidade é calculada proporcionalmente ao número de aulas frequentadas, correspondendo 24 presenças a 20 valores nesta componente. 2. Actividade 1, 30%: exercício realizado em duas aulas, dedicado à aplicação e comparação de perspectivas macro e microssociológicas. Na primeira aula, os estudantes analisam em grupo um caso sociológico a partir de diferentes perspectivas teóricas e apresentam oralmente os resultados. Na segunda aula, realizam individualmente uma resposta escrita de aplicação e comparação das perspectivas estudadas. 3. Actividade 2, 30%: exercício com estrutura semelhante ao anterior, centrado nas diferentes propostas de articulação entre estrutura e acção. O trabalho colectivo da primeira aula é seguido, na segunda, por uma resposta escrita individual de aplicação e comparação de duas perspectivas. 4. Avaliação Final, 35%: exercício realizado em duas aulas, num total de três horas. Os estudantes recebem dois excertos teóricos e um pequeno caso ou problema empírico. Nos primeiros 30 minutos podem discutir os textos em pequenos grupos. Todo o trabalho subsequente é individual e organiza-se em três partes: reconstrução das duas perspectivas teóricas, comparação das respectivas arquitecturas conceptuais e explicativas e aplicação das duas perspectivas ao caso empírico, incluindo a avaliação da sua capacidade explicativa e dos respectivos limites. Não existe classificação mínima em cada elemento, mas todos os elementos obrigatórios têm de ser realizados. A aprovação exige uma classificação final ponderada de pelo menos 9,5 valores, arredondada para 10 valores. Os estudantes que optem pelo exame final não podem realizar elementos da avaliação ao longo do semestre. O exame é individual, sem consulta, abrange todo o programa da UC e avalia os conhecimentos e competências desenvolvidos ao longo do semestre. O exame constitui igualmente a modalidade de avaliação nas épocas de Recurso e Especial.
Metodologias de Ensino / Teaching methodologies
As metodologias de ensino e aprendizagem combinam exposição teórica, análise orientada de textos, discussão colectiva, trabalho em grupo e aplicação individual de perspectivas sociológicas, segundo uma lógica de progressiva autonomização dos estudantes. 1. Aulas teórico-práticas: apresentação e discussão dos problemas, conceitos, arquitecturas conceptuais e mecanismos explicativos das diferentes teorias, articulando o enquadramento das principais tradições com o estudo aprofundado dos autores seleccionados. 2. Leitura e análise de textos: contacto directo com textos sociológicos, orientado para a identificação do problema teórico, dos conceitos fundamentais, das relações entre conceitos, das concepções de actor e de condições sociais e dos mecanismos explicativos. 3. Aplicação e comparação de perspectivas: nas Actividades 1 e 2, os estudantes trabalham casos sociológicos em grupo, aplicando diferentes perspectivas teóricas e apresentando oralmente os resultados. Numa segunda fase, realizam individualmente exercícios escritos de aplicação e comparação das teorias estudadas. 4. Oficinas de preparação: através de excertos teóricos e de um caso empírico, os estudantes treinam as operações de reconstrução conceptual, comparação de arquitecturas teóricas e aplicação a problemas sociológicos. O trabalho é acompanhado por momentos sucessivos de comentário formativo do docente, permitindo identificar dificuldades e reformular procedimentos de análise. 5. Síntese e integração: a parte final da UC retoma comparativamente as principais arquitecturas teóricas estudadas, promovendo a identificação de convergências, divergências, capacidades explicativas e limites. O modelo pedagógico articula, assim, aquisição de conhecimentos, leitura teórica, aplicação, comparação e argumentação, fazendo evoluir os estudantes de situações de trabalho orientado e colectivo para formas progressivamente mais autónomas de análise sociológica.
Demonstração da coerência das metodologias de ensino e avaliação com os objetivos de aprendizagem da UC / Evidence that the teaching and assessment methodologies are appropriate for the learning outcomes
A coerência entre as metodologias de ensino e avaliação e os objectivos de aprendizagem resulta da articulação entre aquisição de conhecimentos, análise de textos, aplicação de teorias, comparação sistemática e progressiva autonomização dos estudantes. 1. Os objectivos de aquisição de conhecimentos sobre teorias, correntes, autores, conceitos e mecanismos explicativos (a) são assegurados pelas aulas teórico-práticas, pelas leituras orientadas e pelo estudo dos textos fundamentais de cada bloco do programa. 2. A capacidade de reconstruir e interpretar arquitecturas teóricas a partir de textos (b) é desenvolvida através da análise orientada de excertos teóricos, das oficinas de preparação e da Avaliação Final, na qual os estudantes têm de identificar problema, conceitos, relações conceptuais, concepções de actor e condições sociais e mecanismos explicativos. 3. As competências de comparação sistemática entre perspectivas (c) são trabalhadas transversalmente nas aulas, nas Actividades 1 e 2, nas oficinas e na Avaliação Final, através da identificação de convergências, divergências, capacidades explicativas, limites e possibilidades de articulação entre teorias. 4. A capacidade de mobilizar a teoria na análise de problemas sociológicos concretos (d) é especialmente desenvolvida nas Actividades 1 e 2 e na Avaliação Final, mediante a aplicação de diferentes perspectivas a casos empíricos e a comparação das explicações produzidas. 5. A autonomia na argumentação e na avaliação crítica de explicações alternativas (e) é promovida pela progressiva passagem do trabalho colectivo e orientado para respostas individuais, culminando na Avaliação Final, em que os estudantes devem reconstruir, comparar, aplicar e avaliar autonomamente duas perspectivas teóricas. O sistema de avaliação reproduz, assim, as operações intelectuais treinadas nas metodologias de ensino e permite avaliar directamente os conhecimentos, aptidões e competências definidos para a UC.
Observações / Observations
O apoio tutorial deve ser previamente agendado com o/a docente. O Fénix deve ser entendida pelos alunos APENAS como uma plataforma administrativa. As informações substantivas sobre a unidade curricular (programa detalhado, calendarização das aulas e momentos de avaliação, instruções de avaliação, bibliografia de trabalhos, etc.) serão transmitidas a cada turma pelo respectivo docente através de outras plataformas, nomeadamente as de ensino electrónico.
Bibliografia Principal / Main Bibliography
BAERT Patrick & Filipe Carreira da SILVA (2014), Teoria Social Contemporânea, Lisboa: Mundos Sociais. CALHOUN Craig et al. (2002), Contemporary Sociological Theory, Oxford: Blackwell. RITZER George & Barry SMART (2003), Handbook of Social Theory, London: Sage. RITZER George & Jeffrey STEPNISKY (2018), Sociological Theory, Los Angeles: Sage. TURNER Jonathan H. (2013), Theoretical Sociology: 1830 to the Present, London: Sage. TURNER Jonathan H. (2014), Theoretical Sociology: A Concise Introduction to Twelve Sociological Theories, London: Sage.
Bibliografia Secundária / Secondary Bibliography
1. ABEND Gabriel (2008), “The Meaning of Theory”, Sociological Theory 26 (2): 173-199. 2. BERTHELOT Jean-Michel (2001), “Programmes, paradigmes, disciplines: pluralité et unité des sciences sociales”, in JM Berthelot (ed.) (2001), Épistémologie des Sciences Sociales, Paris: Presses Universitaires de France, 457-519. 3. TURNER Jonathan H. (2014), “Functional theorizing”, in Theoretical Sociology. A Concise Introduction to Twelve Sociological Theories, London: Sage, 7-31. 4. TURNER Jonathan H. (2014), “Conflict Theorizing”, in Theoretical Sociology: A Concise Introduction to Twelve Sociological Theories, London: Sage, 32-59. 5. RITZER George & Jeffrey STEPNISKY (2018), “Varieties of Neo-Marxian Theory”, in Sociological Theory, Los Angeles: Sage, 357-416. 6. TURNER Jonathan H. (2003), “Systems Functionalism: Niklas Luhmann”, in The Structure of Sociological Theory, Belmont: Wadsworth-Thomson, 54-72. 7. LUHMANN Niklas (1982), “The Differentiation of Society”, in The Differentiation of Society, New York: Columbia University Press, 229-254. 8. TURNER Jonathan H. (2003), “Critical Theory: Jürgen Habermas”, in The Structure of Sociological Theory, Belmont: Wadsworth-Thomson, 209-226. 9. HABERMAS Jürgen (1987 [1981]), The Theory of Communicative Action Vol. 2. Lifeworld and System: A Critique of Functionalist Reason, Cambridge: Polity, 153-168. 10. BAERT Patrick & Filipe Carreira da SILVA (2014), “El enigma de la vida cotidiana. Interaccionismo simbólico, enfoque dramatúrgico y etnometodología", in La Teoría Social Contemporánea, Madrid: Alianza, 105-142. 11. RITZER George & Jeffrey STEPNISKY (2018), “Exchange, Network, and Rational Choice Theories”, in Sociological Theory, Los Angeles: Sage, 500-543. 12. HEDSTRÖM Peter & Lars UDEHN (2009), “Analytical Sociology and Theories of the Middle Range”, in P Hedström & P Bearman (eds.), The Oxford Handbook of Analytical Sociology, Oxford: Oxford University Press, 25-47. 13. RÖSSEL Jörg & Randall COLLINS (2001), “Conflict theory and interaction rituals: the microfoundations of conflict theory”, in JH Turner (ed.) (2001), Handbook of Sociological Theory, New York: Kluwer/Plenum, 509-531. 14. COLLINS Randall (2004), Interaction Ritual Chains, Princeton: Princeton University Press, 40-53. 15. DUBOIS Michel (2000), “L’individualisme méthodologique: principes de la sociologie de l’action”, in Premières Leçons sur la Sociologie de Raymond Boudon, Paris: Presses Universitaires de France, 21-42. 16. BOUDON Raymond (2003), “Beyond Rational Choice Theory”, Annual Review of Sociology 29: 1-21. 17. RITZER George & Jeffrey STEPNISKY (2018), “Micro-macro and agency-structure integration”, in Sociological Theory, Los Angeles: Sage, 592-647. 18. TURNER Jonathan H. (2003), “Structuration theory: Anthony Giddens”, in The Structure of Sociological Theory, Belmont: Wadsworth-Thomson, 476-490. 19. GIDDENS Anthony (2003 [1984]), A Constituição da Sociedade, São Paulo: Martins Fontes, 1-33. 20. OLIVEIRA Nuno (2011), “Entre Cila e Caríbdis: o realismo social de Margaret Archer”, Sociologia, Problemas e Práticas 65: 119-139. 21. ARCHER Margaret S. (1995), Realist Social Theory: The Morphogenetic Approach, Cambridge: Cambridge University Press, 165-190. 22. BONNEWITZ Patrice (2002), “Une vision spatiale de la société: espace et champs” & “L’homo sociologicus bourdieusien: un agent social”, in Premières Leçons sur la Sociologie de Pierre Bourdieu, Paris: Presses Universitaires de France, 41-74. 23. BOURDIEU Pierre (1990), “Structures, Habitus, Practices”, in The Logic of Practice, Stanford: Stanford University Press, 52-65. 24. AMÂNDIO Sofia Lai (2014), “O fio constitutivo da sociologia empírica de Bernard Lahire”, Sociologia, Problemas e Práticas 76: 33-49. 25. LAHIRE Bernard (2003), “From the habitus to an individual heritage of dispositions. Towards a sociology at the level of the individual”, Poetics 31 (5-6): 329-355. 26. PIRES Rui Pena (2007), "Árvores conceptuais: uma reconstrução multidimensional dos conceitos de ação e de estrutura", Sociologia, Problemas e Práticas 53: 11-50.
Data da última atualização / Last Update Date
2026-09-07