Sumários
T.3. Análise comparativa dos mecanismos de coordenação
10 Março 2026, 20:30 • Maria Asensio Menchero
Nesta sessão foram examinados os principais mecanismos de coordenação na Administração Pública (AP) a partir dos paradigmas da Administração Pública Clássica (APC), do New Public Management (NPM) e do New Public Governance (NPG).
Numa primeira fase, foram apresentadas as diferentes ondas de reforma do setor público, salientando as transformações institucionais e as tendências que, ao longo do tempo, têm influenciado os modelos de gestão pública.
Posteriormente, procedeu-se à análise das dimensões e características centrais destes três paradigmas de reforma, com base em contributos da literatura académica, nomeadamente de Jean Hartley (2005), Stephen P. Osborne (2010) e Christopher Pollitt e Geert Bouckaert (2017).
Nas aulas foi igualmente realizada uma análise comparativa dos mecanismos de coordenação associados a diferentes modelos de administração pública, o que permitiu obter uma perspetiva sistemática sobre as principais diferenças e convergências entre estes paradigmas.
Por fim, foram explorados os tipos de regimes político-administrativos e as suas características, incluindo aspetos como a organização dos governos executivos, a relação entre o poder político e a alta direção da administração pública, bem como o papel da cultura administrativa na configuração dos sistemas de governação pública.
T2 - Análise comparada dos Principais Modelos e Mecanismos de Coordenação
3 Março 2026, 20:30 • Maria Asensio Menchero
Nesta sessão abordam-se os mecanismos de coordenação na Administração Pública e foram analisados a evolução dos modelos de gestão pública através de diferentes ondas de reforma administrativa.
Inicialmente, é descrita uma primeira fase de reforma racional-estratégica, nas décadas de 1960 e 1970, caracterizada pela valorização do planeamento estratégico, da análise de políticas públicas e pelo crescente uso das ciências sociais na administração. Posteriormente, a partir do final dos anos 1970, surge o New Public Management (NPM), impulsionado pela crise fiscal do Estado social e pela procura de maior eficiência, introduzindo princípios do setor privado, mecanismos de desempenho e maior autonomia dos gestores públicos. Num terceiro momento, emerge a abordagem de governança em rede, que procura responder às limitações do NPM, nomeadamente à fragmentação organizacional e à falta de coordenação. Esta fase enfatiza a cooperação entre instituições, parcerias com atores externos e estratégias de governação horizontal. Mais recentemente, desenvolve-se uma fase associada ao pós-NPM e à digitalização, marcada pela transformação digital do setor público, pela promoção da transparência e pela introdução de novas formas de participação e regulação em contextos globalizados.
São comparados ainda três paradigmas principais de administração pública — Administração Pública tradicional, New Public Management e governança em rede — destacando diferenças no papel do Estado, nos objetivos da ação governativa, nos estilos de liderança e nos mecanismos de coordenação. Enquanto o modelo tradicional se baseia na hierarquia e no controlo burocrático, o NPM privilegia mecanismos de mercado e gestão orientada para resultados. Já a governança em rede enfatiza a colaboração entre múltiplos atores e a coordenação horizontal entre organizações públicas, privadas e da sociedade civil.
Por fim, são apresentados diferentes regimes político-administrativos e culturas administrativas em vários países, evidenciando variações nas relações entre política e administração, nos modelos de governo executivo e nos padrões de coordenação institucional. Estas diferenças demonstram que os sistemas de administração pública combinam diferentes tradições administrativas, níveis de politização e formas de interação entre governo, burocracia e sociedade
T.1. Análise comparada do Modelo Burocrático
24 Fevereiro 2026, 20:30 • Maria Asensio Menchero
Nesta sessão foi abordada a origem da teoria burocrática, baseada sobretudo nas ideias de Max Weber, destacando-se que a burocracia surgiu como resposta às limitações das teorias clássica e das relações humanas, bem como à crescente complexidade das organizações. Foram igualmente apresentadas as principais características do modelo burocrático, nomeadamente o caráter legal das normas, a formalização das comunicações, a divisão racional do trabalho e a impessoalidade das relações.
O modelo burocrático foi ainda analisado numa perspetiva comparada, salientando-se a importância da inovação nas organizações públicas. Discutiram-se as principais vantagens e desvantagens da burocracia, concluindo-se que, apesar das suas limitações, a burocracia continua a ser essencial para o funcionamento das organizações modernas. Contudo, o modelo burocrático deve adaptar-se aos desafios contemporâneos através da inovação e da melhoria da prestação dos serviços públicos.
T0. O Método comparativo e o raciocínio causal
10 Fevereiro 2026, 18:00 • Maria Asensio Menchero
Foi apresentado o método comparativo como técnica central das ciências sociais, orientada para a comparação sistemática de casos com o objetivo de produzir generalizações empíricas e testar hipóteses. Sublinhou-se que se trata de um instrumento científico com regras próprias, distinto da simples comparação intuitiva.
Distinguiu-se o sentido amplo da comparação — presente em todos os métodos científicos — do sentido estrito do método comparativo, entendido como uma técnica específica, particularmente adequada quando o número de casos é reduzido e não é possível recorrer à experimentação ou à análise estatística.
Apresentou-se o contributo clássico de John Stuart Mill, com os métodos da concordância e da diferença para a identificação de relações causais, bem como os desenvolvimentos posteriores de Lijphart e Sartori, que consolidaram o método comparativo na investigação qualitativa e quantitativa. Mostrou-se ainda como a comparação funciona como mecanismo de controlo das generalizações.
Discutiu-se a ideia de que, nas ciências sociais, não existem “leis” universais, mas regularidades condicionais (se A + B + C, então X), cuja validade só pode ser testada por meio da comparação entre casos. Sem comparação, não há teste empírico, apenas descrição isolada.
Com base em Sartori, destacou-se que comparar implica identificar entidades parcialmente semelhantes e formular sempre a pergunta: comparável em relação a quê?. Uma boa comparação exige conceitos precisos, propriedades bem definidas e classificações coerentes. Foram também discutidos erros frequentes, como o paroquialismo, a má classificação, o gradualismo excessivo e o alargamento conceptual.
Por fim, apresentaram-se os principais métodos de Mill — concordância, diferença, variação concomitante, método conjunto e resíduos —, relacionando-os com os desenhos MSSD e MDSD, ilustrados com exemplos da Administração Pública, como a retenção de jovens qualificados e a fuga de talentos em Portugal.
Introdução à Modernização Administrativa Comparada
3 Fevereiro 2026, 20:30 • Maria Asensio Menchero
Fiz uma introdução à UC, destacando a relevância da comparação como base do conhecimento científico no contexto da AP e sublinhando a distinção entre as ciências naturais, de caráter nomotético, e as ciências sociais, de orientação idiográfica, mas defendendo que estas últimas também podem produzir enunciados gerais sobre fenómenos sociais.
Parte-se do pressuposto de que o comportamento social segue padrões relativamente estáveis, o que legitima a investigação comparativa como meio para identificar regularidades, mecanismos causais e trajetórias institucionais. Neste sentido, a Administração Pública comparada é apresentada como um instrumento essencial para compreender semelhanças e diferenças entre sistemas administrativos, explicar resultados distintos em contextos semelhantes e identificar fatores comuns em casos estruturalmente diferentes.
O método comparativo é definido, em sentido estrito, como uma estratégia metodológica exigente, baseada na seleção criteriosa de casos, em conceitos bem definidos e numa forte atenção ao contexto histórico e institucional. Através de exemplos empíricos — como as reformas do serviço civil no Reino Unido e em França, ou na Suécia e na Alemanha, bem como casos de convergência de resultados em países distintos como Nova Zelândia e Chile ou Canadá e Austrália — ilustrei como a comparação permite identificar causas necessárias, suficientes e combinações causais que explicam o sucesso ou as limitações das reformas administrativas.
Nesta introdução à matéria foram definidos os métodos de avaliação da UC, que combinam apresentações orais, fichas críticas de leitura, um trabalho escrito e a participação ativa dos estudantes, reforçando a centralidade da leitura, do debate e da análise crítica ao longo do semestre.