Sumários

Stroop Emocional

9 Março 2026, 18:00 Nuno Alexandre De Sá Teixeira


O Stroop Emocional - exemplos e descrição da tarefa de base. Programação da tarefa de Stroop Emocional no PsychoPy e realização de um exercício laboratorial. Análise e interpretação dos resultados. Crítica à interpretação clássica do Stroop Emocional - não é um verdadeiro efeito Stroop. As potenciais explicações envolvem ou um processo de Automaticidade no processamento de conteúdos emocionais ou um processo de Captura Atencional para estímulos com conteúdo emocional. Estudos experimentais desenvolvidos por Daniel Algom sugerem que uma explicação em termos de captura atencional explicam os principais resultados, ao que acresce que a facilitação/interefrência se devem a um efeito de compatibilidade entre estímulo e resposta (para estímulos com conteúdo emocional negativo, respostas de afastamento são facilitadas ao passo que respostas de aproximação sofrem inteferência).

Interferência Stroop

2 Março 2026, 20:00 Nuno Alexandre De Sá Teixeira


Os efeitos stroop ocorrem quando (i) o estímulo inclui uma dimensão relevante, à qual se deve referir a resposta, e uma dimensão irrelevante (a ser ignorada para a tarefa); (ii) a dimensão irrelevante é de natureza semântica; (iii) a dimensão irrelevante pode possuir uma natureza de conflito 'quasi-lógico' com a dimensão relevante. Exemplos de variantes do paradigma stroop: stroop de direcções, stroop de imagens, stroop numérico, stroop emocional, stroop auditivo, etc. Os efeitos stroop emergem nos primeiros anos de educação escolar, diminuem com a idade mas aumentam a partir dos 60 anos de idade; são maiores para estímulos apresentados no hemicampo visual direito (processados no hemisfério cerebral esquerdo); estão associados a actividade do córtex cingulado anterior; verificam-se mesmo que a relação entre as dimensões seja apenas articulatória ou ortográfica. Hipótese da velocidade diferencial no processamento das dimensões - o stroop pode ser explicado pelo facto de que a dimensão semâtica é processada mais rapidamente e, logo, uma vez terminada, interfere com o processamento da dimensão relevante; esta hipótese pode ser rejeitada porque a interferência verifica-se mesmo que a dimensão relevante seja apresentada antes da dimensão semântica (irrelevante) - de facto, a interferência atinge um máximo quando a dimensão irrelevante é apresentada cerva de 100ms após a apresentação da dimensão relevante. Hipótese da automaticidade - a dimensão semântica é processada automaticamente e, logo, interfere com o processamento controlado da dimensão relevante. A versão forte da automaticidade falha em explicar: o facto de que a interferência é diminuída se houver a apresentação simultânea de outros estímulos com conteúdo semântico sem qualquer relação com a dimensão relevante. A versão 'fraca' da automaticidade e a sua implementação em Modelos de Processamento Paralelo Distribuído - noções gerais e simulações.

Tarefas de Busca Visual com Estímulos Emocionais

2 Março 2026, 18:00 Nuno Alexandre De Sá Teixeira


Tarefas de busca visual com estímulos com conteúdo emocional. Revisão da tarefa de busca visual - vários elementos, cujo número total é variado sistematicamente, são mostrados ao participante. Entre esses elementos, e num qualquer ensaio, pode ou não estar presente um alvo, cuja detecção deve ser feita pelo observador. Quando o alvo é definido por características visuais simples, ocorre o fenómeno de pop-out e a busca é altamente eficiente, isto é, o tempo de resposta não varia com a extensão do conjunto de elementos. Caso o alvo seja definido por conjunção de características simples, a busca revela-se ineficiente (de tipo serial), sendo que o tempo de resposta aumenta proporcionalmente ao número de elementos do conjunto. O declive do tempo de resposta em função do número de elementos pode assim ser tomado como uma medida da eficiência da busca visual. Nas décadas de 1980/90, tarefas de busca visual cujos elementos (distractores ou alvos) veiculavam significados afectivos começam a ser exploradas. De uma forma geral, e pese embora características visuais simples se encontrassem ocasionalmente confundidas com conteúdos emocionais, revelou-se que estímulos ameaçadores tendiam a ser mais eficazmente encontrados entre distractores neutros - Efeito de Superioridade da Ameaça. Revisão e replicação em PsychoPy do estudo de Öhman, Lundqvist, & Esteves (2001), usando a tarefa de busca visual com faces esquemáticas amigáveis, ameaçadoras ou neutras. As faces esquemáticas possibilitam o controlo de variáveis visuais de baixo nível - não obstante o seu diminuído realismo, os resultados suportam o efeito da superioridade da ameaça (quando especificamente aplicado a faces, designado por Efeito Face-in-the-Crowd). Breve revisão de estudos posteriores recorrendo a tarefas de busca visual e estímulos ameaçadores filogeneticamente relevantes, como o seja imagens de cobras (estas são um predador natural de primatas).

Atenção Visuoespacial e tarefas de Busca Visual

23 Fevereiro 2026, 20:00 Nuno Alexandre De Sá Teixeira


Paradigmas de busca visual. Distinção e generalidades acerca das teorias analíticas e sintéticas da percepção. A metáfora do foco atencional. Modelos de filtro atencional e o paradigma da escuta dicótica - breve revisão dos principais resultados empíricos. Modelos de selecção antecipada e de selecção tardia da atenção. O modelo atenuador de Anne Treisman. A Teoria da Integração de Características de Anne Treisman: Varrimento do campo visual e detecção automática e em paralelo (processos modulares) de características simples; foco atencional que corre o campo visual de forma controlada e num processamento serial e do qual resulta a 'colagem' (binding) de características simples (percepção e reconhecimento de objectos). Previsões da Teoria da Integração de Características: (i) os tempos de reacção numa tarefa de detecção de um alvo definido pela conjunção de características simples (detecção conjuntiva) aumenta linearmente com o número de elementos no campo visual; (ii) os tempos de reacção numa tarefa de detecção de um alvo definido por uma característica simples (detecção disjuntiva) é invariante em relação ao número de elementos no campo visual - fenómeno de pop-out; (iii) ocorrência de segregação textural para elementos do campo visual que se distinguam pela presença de uma característica simples; (iv) ocorrência de conjunções ilusórias em apresentações taquitoscópicas (a colagem de características simples é feita de uma forma aleatória); (v) assimetrias em tarefas de busca visual - a detecção de um alvo definido pela presença de uma característica simples, com distractores que não a possuam, deverá ser mais eficiente que a detecção de um alvo definido pela ausência de uma característica simples, entre distractores que a possuam. Realização de uma tarefa laboratorial - busca visual - e demonstração das previsões i e ii. Demonstrações de fenómenos de segregação textural e conjunções ilusórias. Assimetrias na busca visual e suas possíveis implicações para a neurofisiologia do sistema visual. A experiência de Hubel & Wiesel (1968) e a sua relevância para a conceptualização teórica da atenção visual. Dificuldade de definir, nas assimetrias na busca visual, o que é ou não uma característica simples. Crítica da assunção de processamento paralelo e serial na Teoria da Integração de Características - o declive das rectas que relacionam tempos de reacção em função do número de elementos como indicador da eficiência/ineficiência da busca visual (abandono do declive como critério diagnóstico para a arquitectura subjacente). Oposição entre atenção ao espaço e atenção ao objecto - demonstração do problema. Re-elaboração da Teoria da Integração das Características como um modelo de atenção ao objecto: a noção de ficheiros de objecto. Fenómenos de falso pop-out em configurações regulares e a noção de super-capacidade (redução dos tempos de reacção com o aumento do número de elementos em tarefas de busca visual). Interacção entre processos modulatórios bottom-up e top-down na busca visual - o Modelo da Busca Visual Guiada de Jeremy Wolfe. Demonstrações e aplicações. Fenómeno de satisfação da busca e consequências em contextos aplicados.

Arquitecturas Cognitivas - Paralelo vs Serial

23 Fevereiro 2026, 18:00 Nuno Alexandre De Sá Teixeira


Distinção entre modelos estritamente seriais e modelos paralelos de processamento. O caso da busca de dígitos na memória a curto-prazo. Busca serial exaustiva, busca serial auto-terminada e busca paralela - previsões empíricas para Tempos de Reacção em função da carga mnésica. Manipulação de factores num desenho experimental factorial e previsões empíricas: um efeito aditivo (nenhuma interacção) suporta a existência de estádios de processamento independentes e organizados serialmente; um efeito sub ou sobre aditivo (interacção significativa) refuta a independência dos estádios (Método dos Factores Aditivos). Realização de um exercício laboratorial baseado na tarefa de busca na memória de curto-prazo com manipulação da carga mnésica e da discriminabilidade perceptiva da sonda. O problema da mimetização de modelos: Modelos paralelos podem resultar em algumas das mesmas previsões que modelos serias (e.g., o caso dos modelos paralelos com capacidade limitada e realocação de recursos). Sistematização dos sinais empíricos para diagnóstico da arquitectura de processamento.