Sumários

Tarefas de Busca Visual com Estímulos Emocionais

2 Março 2026, 18:00 Nuno Alexandre De Sá Teixeira


Tarefas de busca visual com estímulos com conteúdo emocional. Revisão da tarefa de busca visual - vários elementos, cujo número total é variado sistematicamente, são mostrados ao participante. Entre esses elementos, e num qualquer ensaio, pode ou não estar presente um alvo, cuja detecção deve ser feita pelo observador. Quando o alvo é definido por características visuais simples, ocorre o fenómeno de pop-out e a busca é altamente eficiente, isto é, o tempo de resposta não varia com a extensão do conjunto de elementos. Caso o alvo seja definido por conjunção de características simples, a busca revela-se ineficiente (de tipo serial), sendo que o tempo de resposta aumenta proporcionalmente ao número de elementos do conjunto. O declive do tempo de resposta em função do número de elementos pode assim ser tomado como uma medida da eficiência da busca visual. Nas décadas de 1980/90, tarefas de busca visual cujos elementos (distractores ou alvos) veiculavam significados afectivos começam a ser exploradas. De uma forma geral, e pese embora características visuais simples se encontrassem ocasionalmente confundidas com conteúdos emocionais, revelou-se que estímulos ameaçadores tendiam a ser mais eficazmente encontrados entre distractores neutros - Efeito de Superioridade da Ameaça. Revisão e replicação em PsychoPy do estudo de Öhman, Lundqvist, & Esteves (2001), usando a tarefa de busca visual com faces esquemáticas amigáveis, ameaçadoras ou neutras. As faces esquemáticas possibilitam o controlo de variáveis visuais de baixo nível - não obstante o seu diminuído realismo, os resultados suportam o efeito da superioridade da ameaça (quando especificamente aplicado a faces, designado por Efeito Face-in-the-Crowd). Breve revisão de estudos posteriores recorrendo a tarefas de busca visual e estímulos ameaçadores filogeneticamente relevantes, como o seja imagens de cobras (estas são um predador natural de primatas).

Atenção Visuoespacial e tarefas de Busca Visual

23 Fevereiro 2026, 20:00 Nuno Alexandre De Sá Teixeira


Paradigmas de busca visual. Distinção e generalidades acerca das teorias analíticas e sintéticas da percepção. A metáfora do foco atencional. Modelos de filtro atencional e o paradigma da escuta dicótica - breve revisão dos principais resultados empíricos. Modelos de selecção antecipada e de selecção tardia da atenção. O modelo atenuador de Anne Treisman. A Teoria da Integração de Características de Anne Treisman: Varrimento do campo visual e detecção automática e em paralelo (processos modulares) de características simples; foco atencional que corre o campo visual de forma controlada e num processamento serial e do qual resulta a 'colagem' (binding) de características simples (percepção e reconhecimento de objectos). Previsões da Teoria da Integração de Características: (i) os tempos de reacção numa tarefa de detecção de um alvo definido pela conjunção de características simples (detecção conjuntiva) aumenta linearmente com o número de elementos no campo visual; (ii) os tempos de reacção numa tarefa de detecção de um alvo definido por uma característica simples (detecção disjuntiva) é invariante em relação ao número de elementos no campo visual - fenómeno de pop-out; (iii) ocorrência de segregação textural para elementos do campo visual que se distinguam pela presença de uma característica simples; (iv) ocorrência de conjunções ilusórias em apresentações taquitoscópicas (a colagem de características simples é feita de uma forma aleatória); (v) assimetrias em tarefas de busca visual - a detecção de um alvo definido pela presença de uma característica simples, com distractores que não a possuam, deverá ser mais eficiente que a detecção de um alvo definido pela ausência de uma característica simples, entre distractores que a possuam. Realização de uma tarefa laboratorial - busca visual - e demonstração das previsões i e ii. Demonstrações de fenómenos de segregação textural e conjunções ilusórias. Assimetrias na busca visual e suas possíveis implicações para a neurofisiologia do sistema visual. A experiência de Hubel & Wiesel (1968) e a sua relevância para a conceptualização teórica da atenção visual. Dificuldade de definir, nas assimetrias na busca visual, o que é ou não uma característica simples. Crítica da assunção de processamento paralelo e serial na Teoria da Integração de Características - o declive das rectas que relacionam tempos de reacção em função do número de elementos como indicador da eficiência/ineficiência da busca visual (abandono do declive como critério diagnóstico para a arquitectura subjacente). Oposição entre atenção ao espaço e atenção ao objecto - demonstração do problema. Re-elaboração da Teoria da Integração das Características como um modelo de atenção ao objecto: a noção de ficheiros de objecto. Fenómenos de falso pop-out em configurações regulares e a noção de super-capacidade (redução dos tempos de reacção com o aumento do número de elementos em tarefas de busca visual). Interacção entre processos modulatórios bottom-up e top-down na busca visual - o Modelo da Busca Visual Guiada de Jeremy Wolfe. Demonstrações e aplicações. Fenómeno de satisfação da busca e consequências em contextos aplicados.

Arquitecturas Cognitivas - Paralelo vs Serial

23 Fevereiro 2026, 18:00 Nuno Alexandre De Sá Teixeira


Distinção entre modelos estritamente seriais e modelos paralelos de processamento. O caso da busca de dígitos na memória a curto-prazo. Busca serial exaustiva, busca serial auto-terminada e busca paralela - previsões empíricas para Tempos de Reacção em função da carga mnésica. Manipulação de factores num desenho experimental factorial e previsões empíricas: um efeito aditivo (nenhuma interacção) suporta a existência de estádios de processamento independentes e organizados serialmente; um efeito sub ou sobre aditivo (interacção significativa) refuta a independência dos estádios (Método dos Factores Aditivos). Realização de um exercício laboratorial baseado na tarefa de busca na memória de curto-prazo com manipulação da carga mnésica e da discriminabilidade perceptiva da sonda. O problema da mimetização de modelos: Modelos paralelos podem resultar em algumas das mesmas previsões que modelos serias (e.g., o caso dos modelos paralelos com capacidade limitada e realocação de recursos). Sistematização dos sinais empíricos para diagnóstico da arquitectura de processamento.

Programação em PsychoPy: Introdução

9 Fevereiro 2026, 20:00 Nuno Alexandre De Sá Teixeira


Introdução à programação de tarefas experimentais em PsychoPy. Implementação de uma tarefa de tempos de reacção de escolha para verificação da Lei de Hick-Hyman. Análise e interpretação dos resultados.

Tempos de Reacção e Cognição: A Lei de Hick-Hyman e a Lei de Fitts

9 Fevereiro 2026, 18:00 Nuno Alexandre De Sá Teixeira


Tempos de Reacção de Escolha (ou complexos) e a sua relação não linear com o número de emparelhamentos estímulo-resposta. A Teoria Matemática da Informação e a medida de informação em bits. A Lei de Hick-Hyman: Os tempos de reacção de escolha seguem uma função linear da quantidade de informação (em bits) a processar na tarefa: TR = a + b*Log2( n ). A correcção de Hicks para o número de alternativas - n+1 (número de pares estímulo-resposta + existência ou não de um estímulo). O declive da função linear como um medida da taxa de processamento (em bits por segundo). Execução de um exercício laboratorial: medida dos tempos de reacção para 2, 4, 6, 8 e 10 emparelhamentos entre estímulos (cores) e respostas (teclas coloridas). A Lei de Hick-Hyman como reflexo de duas fontes de incerteza - no estímulo e na resposta - o paradigma um-para-muitos para dissociação da incerteza na respoosta e na identificação do estímulo. O efeito da compatibilidade entre estímulo e resposta e treino no declive da função de Hick-Hyman: maior compatibilidade estímulo-resposta e maior treino resultam num menor declive - possibilidade de indexar processos automáticos/controlados com o declive da função linear. A Lei de Hick-Hyman em contextos aplicados: O Modelo do Processador Humano; uso de menus numa interface de computador; desenho de aplicações móveis. Outros factores que afectam o tempo de reacção de escolha: (i) relação inversa entre tempo e precisão; (ii) efeitos sequenciais (possível confounding na Lei de Hick-Hyman); (iii) efeitos de disciminabilidade (entre estímulos e entre respostas). Tempo de movimento (TM) e a Lei de Fitts: O tempo de execução de um movimento é uma função linear do índice de dificuldade, em bits, determinado pelo tamanho (T) e distância(D) do alvo - TM = a + b*log2(2D/T).

Bibliografia:
Proctor, R. W., & Schneider, D. W. (2018). Hick's law for choice reaction time: A review. Quarterly Journal of Experimental Psychology, 71(6), 1281-1299.
Zheng, J., & Meister, M. (2025). The unbearable slowness of being: Why do we live at 10 bits/s?. Neuron, 113(2), 192–204