Sumários
Tema 4. Legitimidade Política e Estado de Bem-Estar
24 Março 2025, 20:30 • Maria Asensio Menchero
Os textos analisados (Chung, Taylor‐Gooby and Leruth (2018) procuram explorar a legitimidade política e os desafios enfrentados pelo Estado Social no contexto da União Europeia, com um enfoque particular nas percepções e atitudes dos cidadãos relativamente às políticas sociais. Os autores refletem sobre o papel dos inquéritos no estudo do Estado Social, salientando fatores como as alterações demográficas, a despesa pública e a emancipação feminina. Um dos aspetos em análise é o impacto da Grande Recessão de 2007/2008, caracterizada pela estagnação económica, a austeridade e a polarização política, resultando num menor apoio à União Europeia e num aumento da desconfiança nos governos.
O estudo sublinha a importância das atitudes dos cidadãos para compreender e orientar as reformas políticas. São utilizados métodos quantitativos e qualitativos para captar as perceções, enquanto a modelação estatística relaciona fatores estruturais, como os rendimentos ou a filiação partidária, com a perceção do Estado de bem-estar. A abordagem qualitativa baseia-se em grupos focais, enquanto o modelo teórico "file-drawer" interpreta as atitudes como propriedades estáveis e intrínsecas aos indivíduos.
São identificados desafios como a volatilidade macroeconómica, a digitalização económica e a fragmentação dos vínculos laborais, bem como dilemas associados à migração e à multiculturalidade. As reformas políticas são analisadas em termos de efeitos de recompensa (aumento do apoio ao Estado Social) e de sobrecarga crítica (resistência às políticas consideradas excessivamente dispendiosas). Reflete-se também sobre a influência dos meios de comunicação na formação de atitudes, considerando as percepções distorcidas e a estigmatização dos grupos vulneráveis.
O estudo destaca ainda a necessidade de métodos inovadores para superar as limitações dos inquéritos tradicionais, promovendo a integração de abordagens qualitativas e quantitativas para captar as nuances das atitudes sociais. As atitudes em relação ao Estado Social são vistas como fundamentais para moldar políticas públicas eficazes e assegurar a legitimidade política.
Tema 3. Novos Riscos Sociais e a Transformação do Estado de Bem-Estar na Europa"
17 Março 2025, 20:30 • Maria Asensio Menchero
Este tema aborda os principais debates contemporâneos sobre a relação entre o Estado e o mercado, com ênfase nos novos riscos sociais e no chauvinismo assistencialista. A primeira parte, fundamentada no texto de Taylor-Gooby , analisa a evolução do Estado-Providência nas décadas de 1950 e 1970, período caracterizado pelo crescimento económico contínuo, forte solidariedade intergeracional e pleno emprego. No entanto, as transformações socio-demográficas e económicas, como o envelhecimento populacional, a flexibilização do mercado de trabalho e a crescente participação feminina na força de trabalho, deram origem a novos desafios. Essas mudanças impulsionaram o "retrenchement" dos Estados-Providência, levando a privatizações e reformas estruturais.
Os novos riscos sociais diferem dos antigos riscos sociais tanto na perspectiva governamental quanto na dos cidadãos. Para os governos, enquanto os riscos tradicionais demandavam altos investimentos e eram sustentados pela solidariedade coletiva, os novos riscos exigem políticas voltadas à empregabilidade e à sustentabilidade fiscal. Já para os cidadãos, esses riscos atingem sobretudo jovens e grupos minoritários com menor acesso à educação.
A segunda parte, baseada no estudo de Afonso e Negash (2024), investiga o conceito de chauvinismo assistencialista, que pode se manifestar tanto na restrição à entrada de imigrantes quanto na limitação de seu acesso ao Estado-Providência. O estudo examina as preferências individuais sobre inclusão social e abertura à imigração, destacando a influência da educação nas atitudes mais receptivas. A partir de dados do European Social Survey, os autores evidenciam diferenças significativas entre os países europeus: enquanto a Suécia apresenta maior apoio à inclusão dos imigrantes no sistema de bem-estar, a Hungria se destaca pela sua postura predominantemente excludente. Os resultados indicam que indivíduos com maior escolaridade tendem a adotar posições mais abertas à imigração, ao passo que aqueles com menor nível educacional mostram maior propensão a defender as restrições dos imigrantes aos benefícios sociais.
Além disso, o estudo aponta que a dependência dos imigrantes em relação a benefícios sociais pode intensificar as atitudes chauvinistas, embora a relação entre os rendimentos e as preferências políticas não seja conclusiva. Os autores concluem que são necessários mais estudos para aprofundar a compreensão sobre os fatores que influenciam essas atitudes, sugerindo a realização de estudos experimentais para avaliar o impacto das políticas de bem-estar na percepção pública sobre a imigração.
Tema 2. Políticas Públicas para a Digitalização
10 Março 2025, 20:30 • Maria Asensio Menchero
Tema 1. Atitudes e Preferências e Prioridades sobre o Estado de Bem-Estar
24 Fevereiro 2025, 20:30 • Maria Asensio Menchero
As atitudes, preferências e prioridades são forças dominantes na vida, enquanto a nossa identidade define quem somos. Ambos desempenham um papel fundamental na determinação das preferências dos cidadãos em relação às políticas públicas. Mas quais são exatamente esses valores, atitudes e preferências políticas? Até que ponto são partilhados pelos cidadãos? Em que medida as preferências variam entre os cidadãos de diferentes Estados? Como se relacionam com a identidade individual? Além disso, que paralelos podem ser estabelecidos entre as respostas a essas questões e de que forma os fatores sociodemográficos tradicionalmente mais relevantes — como género, idade, nível de educação, situação financeira, utilização da Internet e inclinações políticas — influenciam essas preferências?
Peter Taylor-Gooby teve uma contribuição significativa para o estudo do bem-estar e das políticas sociais. No texto Attitudes, Aspirations and Welfare, o autor examina diversas questões sobre como as atitudes e aspirações individuais afetam o bem-estar social e as políticas governamentais. Entre os principais temas abordados, destacam-se:
- Interconexão entre atitudes individuais e bem-estar social: A forma como as perceções sobre trabalho, família, educação e outros aspetos impactam o bem-estar coletivo em nível macro.
- Influência das políticas públicas nas aspirações individuais: A maneira como os governos podem moldar as aspirações das pessoas por meio de incentivos económicos, oportunidades educacionais e outros mecanismos.
- Desafios na promoção do bem-estar e das aspirações positivas: As dificuldades enfrentadas pelos governos ao tentar impulsionar tanto o bem-estar social quanto as ambições individuais, especialmente em cenários de desigualdade socioeconómica e transformações estruturais na economia.
- Papel das instituições sociais e culturais: A influência das instituições sociais e culturais na formação das atitudes e aspirações individuais, bem como a variação desse impacto em diferentes contextos socioculturais.
O debate proposto por Taylor-Gooby adota uma perspetiva comparativa, analisando diferentes estratégias utilizadas por diversos países para promover o bem-estar e fomentar aspirações positivas entre os cidadãos
UC_Estado e Mercado: Debates Contemporâneos.
17 Fevereiro 2025, 20:30 • Maria Asensio Menchero
Apresentação da UC. Apresentação da docente e dos discentes e informações gerais sobre a planificação da UC