Sumários

Desenvolvimento num mundo desigual: a crítica antropológica

8 Maio 2026, 18:00 Patrícia Matos


A aula centrou-se na crítica antropológica ao desenvolvimento num mundo marcado por profundas desigualdades globais. Partindo do contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, foi discutida a forma como a ideia de “desenvolvimento” emergiu associada à promessa de que os países mais ricos poderiam ajudar os países mais pobres a alcançar crescimento económico, modernização e melhoria das condições de vida. Esta visão assentava na crença de que as sociedades consideradas “atrasadas” deveriam seguir o caminho das nações industrializadas, substituindo instituições tradicionais por instituições modernas, promovendo a urbanização, a ciência, a tecnologia, a educação, a democracia e o crescimento económico. A aula apresentou também a evolução histórica das teorias do desenvolvimento. Nos anos 1950 e 1960 dominou a teoria da modernização, segundo a qual o progresso acabaria por beneficiar toda a sociedade. Nos anos 1970 surgiram críticas neo-marxistas, centradas na dependência e na inserção desigual dos países pobres num sistema-mundo controlado pelas economias capitalistas mais ricas. A partir dos anos 1980, com a expansão da globalização neoliberal, ganhou força a ideia de que os mercados deveriam operar livremente, reduzindo-se o papel do Estado. Já nos anos 1990, face ao falhanço de muitas promessas neoliberais, intensificaram-se as críticas pós-desenvolvimentistas, incluindo as de James Ferguson e Arturo Escobar. James Ferguson, em The Anti-Politics Machine, analisou projectos de desenvolvimento no Lesoto entre 1975 e 1984. Apesar de estes projectos terem como objectivo declarado combater a pobreza, promover o crescimento económico e reduzir a dependência face à África do Sul, Ferguson mostrou que falharam repetidamente nos seus propósitos formais. No entanto, produziram efeitos importantes: reforçaram o poder burocrático do Estado e transformaram problemas políticos em problemas técnicos. A sua noção de “máquina anti-política” descreve precisamente este processo de despolitização, em que questões de desigualdade, poder e distribuição de recursos são tratadas como meras dificuldades administrativas ou técnicas. Arturo Escobar, em Encountering Development, criticou a forma como o “Terceiro Mundo” foi produzido como objecto de conhecimento e intervenção desde o pós-guerra. Para Escobar, o desenvolvimento não foi apenas um conjunto de políticas, mas uma formação discursiva que classificou populações inteiras como pobres, atrasadas e necessitadas de intervenção externa. Esta lógica, frequentemente tecnocrática, etnocêntrica e descendente, tratou pessoas e culturas como números ou alvos de intervenção, ignorando processos históricos, culturais e políticos locais. A aula terminou com o documentário Poverty, Inc., usado para debater criticamente a indústria internacional da ajuda, a produção de dependência e os riscos de simplificar problemas complexos como a pobreza, a dívida, o colonialismo e a desigualdade global.

 

Hinduísmo: suas histórias, crenças e práticas segundo a Antropologia

6 Maio 2026, 09:30 Caio Cezar De Oliveira Busani


A aula analisa o Hinduísmo como uma tradição fluida, priorizando a ortopráxia em vez da ortodoxia. Fazendo um rápido passeio pela história, desde os Vedas e o reformismo ascético até às formas modernas e globais. Pilares como Dharma, Karma e Moksha fundamentam a busca pela liberação por meio de caminhos como a ação ou a devoção (Bhakti). A apresentação destaca ainda a importância central dos templos e da prática doméstica. Por fim, aborda o Hindutva, ideologia que politiza a religião num contexto de nacionalismo exclusivista.

um Olhar antropológico sobre a Índia: Orientalismo, Castas e Subaltern Studies

29 Abril 2026, 09:30 Caio Cezar De Oliveira Busani


Na aula, foi apresentado um olhar antropológico sobre a Índia, articulando história, sociedade e poder. Discutiu-se a formação histórica do sul da Ásia, do Vale do Indo à independência em 1947. O sistema de castas foi analisado como estrutura social, religiosa e política, incluindo mobilidade limitada, dalits e transformações modernas. Foram abordadas interpretações como a hierarquia em Dumont e a distinção entre status e poder. Também se discutiu o orientalismo, mostrando como o Ocidente construiu imagens sobre o Oriente. Por fim, os Subaltern Studies destacaram vozes marginalizadas e resistências às elites e questionaram quem pode falar na história e política.

Desenvolvimento num mundo desigual: a crítica antropológica

24 Abril 2026, 18:00 Patrícia Matos


A aula centrou-se na crítica antropológica ao desenvolvimento num mundo marcado por profundas desigualdades globais. Partindo do contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, foi discutida a forma como a ideia de “desenvolvimento” emergiu associada à promessa de que os países mais ricos poderiam ajudar os países mais pobres a alcançar crescimento económico, modernização e melhoria das condições de vida. Esta visão assentava na crença de que as sociedades consideradas “atrasadas” deveriam seguir o caminho das nações industrializadas, substituindo instituições tradicionais por instituições modernas, promovendo a urbanização, a ciência, a tecnologia, a educação, a democracia e o crescimento económico. A aula apresentou também a evolução histórica das teorias do desenvolvimento. Nos anos 1950 e 1960 dominou a teoria da modernização, segundo a qual o progresso acabaria por beneficiar toda a sociedade. Nos anos 1970 surgiram críticas neo-marxistas, centradas na dependência e na inserção desigual dos países pobres num sistema-mundo controlado pelas economias capitalistas mais ricas. A partir dos anos 1980, com a expansão da globalização neoliberal, ganhou força a ideia de que os mercados deveriam operar livremente, reduzindo-se o papel do Estado. Já nos anos 1990, face ao falhanço de muitas promessas neoliberais, intensificaram-se as críticas pós-desenvolvimentistas, incluindo as de James Ferguson e Arturo Escobar. James Ferguson, em The Anti-Politics Machine, analisou projectos de desenvolvimento no Lesoto entre 1975 e 1984. Apesar de estes projectos terem como objectivo declarado combater a pobreza, promover o crescimento económico e reduzir a dependência face à África do Sul, Ferguson mostrou que falharam repetidamente nos seus propósitos formais. No entanto, produziram efeitos importantes: reforçaram o poder burocrático do Estado e transformaram problemas políticos em problemas técnicos. A sua noção de “máquina anti-política” descreve precisamente este processo de despolitização, em que questões de desigualdade, poder e distribuição de recursos são tratadas como meras dificuldades administrativas ou técnicas. Arturo Escobar, em Encountering Development, criticou a forma como o “Terceiro Mundo” foi produzido como objecto de conhecimento e intervenção desde o pós-guerra. Para Escobar, o desenvolvimento não foi apenas um conjunto de políticas, mas uma formação discursiva que classificou populações inteiras como pobres, atrasadas e necessitadas de intervenção externa. Esta lógica, frequentemente tecnocrática, etnocêntrica e descendente, tratou pessoas e culturas como números ou alvos de intervenção, ignorando processos históricos, culturais e políticos locais. A aula terminou com o documentário Poverty, Inc., usado para debater criticamente a indústria internacional da ajuda, a produção de dependência e os riscos de simplificar problemas complexos como a pobreza, a dívida, o colonialismo e a desigualdade global.

 

Desenvolvimento num mundo desigual: a crítica antropológica

22 Abril 2026, 09:30 Patrícia Matos


A aula de 22 de abril abordou a crítica antropológica ao desenvolvimento num mundo marcado por desigualdades históricas, económicas e políticas. Partiu-se da emergência da noção de desenvolvimento no pós-Segunda Guerra Mundial, quando os países ricos passaram a apresentar-se como agentes de ajuda aos países pobres. Nas décadas de 1950 e 1960, a teoria da modernização defendia que as sociedades pobres deveriam seguir o modelo das nações industrializadas, substituindo instituições consideradas tradicionais por formas modernas de economia, Estado, educação, ciência e tecnologia. Esta visão associava progresso a crescimento económico, urbanização e expansão capitalista.A partir dos anos 1970, teorias críticas neo-marxistas questionaram esta narrativa, sublinhando a dependência estrutural dos países pobres face a um sistema-mundo dominado pelos países capitalistas ricos. Nos anos 1980, a globalização neoliberal deslocou o centro da ação do Estado para os mercados, reforçando abordagens tecnocráticas e quantitativas. Já nos anos 1990, perante os fracassos do neoliberalismo, emergiram críticas pós-desenvolvimentistas, articuladas com movimentos sociais e com a ideia de que “outro mundo é possível”.

A aula destacou James Ferguson e Arturo Escobar. Ferguson, em The Anti-Politics Machine, analisou o Lesoto e mostrou como os projetos de desenvolvimento, embora frequentemente falhassem nos seus objetivos declarados, produziam efeitos concretos: expansão do poder burocrático do Estado e despolitização de problemas ligados à distribuição de recursos. Escobar, em Encountering Development, argumentou que o “Terceiro Mundo” foi produzido como objeto de conhecimento e intervenção por discursos ocidentais de desenvolvimento, que transformaram a pobreza em problema técnico e económico. Por fim, o excerto de Poverty, Inc. serviu para debater se a indústria da ajuda combate a pobreza ou reproduz dependências, permitindo relacionar o filme com as críticas de Ferguson e Escobar. O objetivo foi compreender que o desenvolvimento nunca é neutro: envolve saberes, interesses, hierarquias, disputas políticas e formas específicas de poder global.